Um ponto prévio: não pretendo beliscar ninguém em particular ou atirar-lhe pedras que o possa molestar.
No tempo do PREC tivémos que coexistir com alguns eleitos, principalmente, locais, que se postaram como caciques.
Alguns eleitos são arrogantes na sua forma de estar e de (não) servir.
Estes últimos sabem que, quando concorrem e acabam eleitos, para funções do poder local – Municípios, Juntas de Freguesia e, ainda, Assembleias Municipais e de Freguesia – se determinam e se movem, com e nos poderes.
Ora, ser eleito para qualquer cargo desse leque institucional é, antes de tudo o mais, servir, com e em espírito de missão à comunidade e aos cidadãos.
Um autarca tem que, acima de tudo, saber escutar as populações e, as mais das vezes, a própria oposição sem a fracturar e sem fazer ouvidos moucos…
Um autarca que se preze não se confina ao gabinete. Tem de andar nas ruas a ouvir os funcionários que nelas labutam. Tem de beber um café, no da esquina, para dialogar com as pessoas, percebendo os seus anseios e problemas.
Um autarca tem de ter postura para captar a confiança dos que o elegeram. Tem de tomar decisões para o interesse do colectivo e nunca do singular. Tem de explicitar, sem reservas, os gastos da Instituição que serve, numa propositura de ética e de transparência. Não pode ter rabos de palha…
Um autarca tem de se reunir dos melhores para, fazendo uma equipa sagaz, activa, promotora do bem comum e capaz de, nas alturas críticas e mais combativas do ponto de vista político, ideológico-partidário e social-comunitário, ser apaziguador…nunca activista de quezílias ou de divisões, sejam elas quais forem. Tem de saber travar os que o rodeiam, em ocasiões críticas ou de “descarrilamento” para impôr rigor, justiça e introduzir palavras de sossego, colocando água na que já ferve. Todos precisamos uns dos outros. E temos – todos – de estar de boa-fé sem rancores ou vontade de deitar achas para a fogueira…
Um autarca que deixe o seu legado, com a sua chancela de homem sério, de proximidade, de promotor da paz entre pares e outros, de fazedor de projectos que promovam a dignidade humana e de lazer, será reconhecido por todos. Se o autarca fôr promotor do desenvolvimento e do bem-estar dos concidadãos cumprirá a suprema função para a qual se candidatou. Se, e pelo contrário, se assumir, com a sua equipa, como quem fecha portas e abre quezílias dentro da Instituição e fora dela, porque não sabe escutar e não está interessado em entender os outros, está condenado ao fracasso. Pode rodear-se de blindagem para se proteger e içar a sua política, mas acabará isolado e a caminhar para o fosso da queda. Os eleitores, e a voz dos mais débeis, da oposição, da comunicação social e de algumas outras Instituições não perdoam entradas de leão, saídas de sendeiro/cordeiro. A arrogância deixa-se em casa. Quem serve a democracia e o poder local deve revestir-se de humildade bastante e de uma presença pessoal de missão, sempre com o fundo da mais elementar forma de diálogo…
António Barreiros
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