A 13.ª edição do certame encheu o Adro da freguesia durante o fim-de-semana. Artesãos de longa data, como o casal José Silva e Teresa Figueiredo, destacam o acolhimento da comunidade e a aposta na qualidade e durabilidade das peças artesanais.
O Adro da freguesia de Requião voltou a ser o ponto de encontro da comunidade com a realização da 13.ª Festa da Compra e Venda. O evento, que se consolidou ao longo de mais de uma década no calendário local, reuniu cerca de 86 expositores durante este fim-de-semana. Entre bancadas repletas de artigos únicos e uma forte afluência de público, artesãos e visitantes transformaram o certame num espaço de convívio, valorização da produção manual e dinamização do comércio tradicional.
Num ambiente marcado pela proximidade e pelo reencontro, a feira voltou a demonstrar a sua capacidade de atração. A dinâmica do certame ganha especial vitalidade ao final do dia e durante a noite, momentos em que as temperaturas mais amenas convidam a passeios em família e à apreciação minuciosa dos artigos expostos.
Uma década de fidelidade e acolhimento
Entre os participantes habituais destacam-se José Silva e Teresa Figueiredo, um casal casado há 44 anos e que marca presença constante na Festa da Compra e Venda há cerca de nove edições. Para ambos, a deslocação a Requião ultrapassa a vertente comercial, assumindo os contornos de um encontro caloroso entre amigos.
“É uma festa de amigos. A simpatia com que nos convidam e acolhem é extraordinária“, refere o casal, sublinhando a continuidade do apoio institucional por parte do executivo da freguesia, desde a liderança do antigo presidente, João Cá, até à atual junta. “Há uma sequência na forma atenciosa como nos tratam que nos prende aqui. Não conseguimos dizer que não“, confessam.
Na bancada mantida pelo casal, o artesanato ganha forma através de uma vasta oferta de acessórios têxteis e peças em cabedal. Teresa Figueiredo dedica-se à confeção de vestuário por medida e a diversos acessórios, tais como “totós” de cabelo, fitas, lencinhos e turbantes infantis — artigos com elevada procura, sobretudo durante o período estival.
A sustentabilidade é um dos pilares do trabalho de Teresa. “Tentamos fazer reaproveitamento e reciclagem. Por exemplo, os nossos totós são feitos com pequenos retalhos de tecido que aproveitamos de outras peças. Em vez de deitar fora, tudo é rentabilizado“, explica a artesã.
Diferenciando-se da produção industrial de baixa qualidade e de curta duração, os produtos apresentados pelo casal primam pela perfeição e durabilidade. “Procuramos sempre a perfeição e um acabamento seguro. Não nos interessa vender algo que vá arrebentar logo; prezamos a qualidade para que o cliente fique satisfeito e volte“, salienta o casal, notando que muitos clientes habituais já colecionam os diferentes padrões lançados a cada época.
Por sua vez, José Silva dedica-se ao trabalho em cabedal e à elaboração de pulseiras em pedraria, adereços bastante procurados durante o Verão.
Próxima paragem: Feira de Artesanato de Famalicão
Com o fecho de mais uma edição bem-sucedida em Requião, o casal de artesãos já prepara os próximos compromissos do seu calendário festivo. O grande destaque segue-se no final deste mês, com a participação na conceituada Feira de Artesanato e Gastronomia de Vila Nova de Famalicão, um dos certames mais expressivos do concelho, com duração de nove dias.
Até lá, a Festa da Compra e Venda de Requião reafirma a sua importância na agenda cultural da freguesia, promovendo o reencontro da comunidade e celebrando o talento dos artesãos que mantêm viva a identidade do artesanato local.
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