A rutura surge após o executivo votar contra a homenagem ao antigo presidente Armindo Costa, violando a orientação expressa do partido. Concelhia acusa Mário Passos de deslealdade e desrespeito institucional.
A Comissão Política Concelhia do PSD de Vila Nova de Famalicão deliberou retirar a confiança política ao presidente da Câmara Municipal, Mário Passos, bem como aos restantes membros do executivo municipal eleitos pelo partido. A decisão extrema, formalizada através de uma resolução política aprovada pela Concelhia e comunicada por correio eletrónico na manhã de 16 de julho, surge na sequência de um longo processo de divergências latentes que culminou com a rejeição, por parte do executivo camarário, de uma recomendação partidária expressa para viabilizar a homenagem institucional ao antigo autarca Armindo Costa.
A rutura entre a estrutura partidária local e a governação autárquica foi formalizada num documento político que já foi enviado aos eleitos do PSD na Assembleia Municipal e aos Presidentes de Junta de Freguesia. Segundo a Concelhia, o ponto de rutura incontornável deveu-se ao voto contra do executivo liderado por Mário Passos na proposta de homenagem institucional ao antigo presidente da Câmara Municipal, o arquiteto Armindo Costa.
A direção do partido tinha emitido uma orientação clara no sentido de permitir a aprovação da respetiva proposta — originalmente apresentada pelo Partido Socialista (PS) —, recomendando o voto favorável ou a abstenção. A recusa do executivo em cumprir aquela diretriz foi qualificada pela Concelhia como o “culminar de uma série de ações de desrespeito pelas opiniões, posições e orientação de voto” do PSD.
A tensão interna foi severamente agravada pelas declarações proferidas por Mário Passos no final da reunião de Câmara. De acordo com a estrutura social-democrata, tais declarações revestiram-se de uma gravidade que confirmou, de forma inequívoca, um “desafio e desrespeito injustificado” à legitimidade da Comissão Política local.
A importância histórica do legado de Armindo Costa
A Concelhia refuta qualquer responsabilidade na criação deste cenário de crise, asseverando que procurou comunicar “sempre com lealdade e transparência” ao longo do processo. Revelou, ainda, que o próprio Mário Passos havia confirmado, dias antes da votação, que estava em condições de garantir a viabilização da homenagem (via voto favorável ou abstenção), vindo a inverter a sua posição à última hora “sem qualquer explicação ou comunicação prévia“.
A decisão extrema de cortar relações políticas com os eleitos camarários é sustentada pela necessidade de defender a identidade do partido e a história recente do concelho. A vitória eleitoral de Armindo Costa em 2001 é lembrada pela Concelhia como a histórica reviravolta política que pôs fim a 19 anos de governação do PS e iniciou o ciclo de desenvolvimento que vigora até aos dias de hoje. O partido sublinha que o legado de 12 anos de governação das equipas de Armindo Costa constitui o alicerce da transformação de Famalicão, merecendo total respeito institucional.
O papel do PSD a partir deste momento
Apesar do corte formal de confiança política, a Comissão Política Concelhia de Famalicão clarificou que o PSD não assumirá o papel de oposição ao executivo camarário de Mário Passos, cabendo essa função exclusivamente aos partidos derrotados nas últimas eleições autárquicas.
A estrutura partidária garantiu que o seu foco se manterá na defesa dos superiores interesses dos famalicenses e na salvaguarda dos valores fundamentais do Partido Social Democrata. O partido promete manter uma vigilância ativa e rigorosa sobre todas as áreas de governação que afetem o município, assegurando o cumprimento do programa eleitoral sufragado pelos eleitores e a defesa intransigente das conquistas do Poder Local.
PUBLICIDADE
























Comentários sobre o post