Organização destaca rigor financeiro, anuncia cartaz musical diversificado e foca-se na renovação geracional para garantir o futuro da tradição local.
A freguesia de Bente apresentou, no sábado, dia 11, o cartaz oficial das festividades em honra do seu padroeiro, o Divino Salvador. O evento serviu não só para revelar as atrações musicais e os detalhes logísticos da celebração, mas também para reforçar o papel vital do voluntariado, a transparência na gestão orçamental e a urgência de atrair as gerações mais jovens para assegurar a continuidade desta histórica tradição paroquial.
Face a um ano economicamente desafiante, o presidente da comissão de festas, Manuel Ferreira, enfatizou a necessidade de manter um forte rigor orçamental. A estratégia da organização passa por enquadrar as festividades na real dimensão da freguesia, evitando gastos excessivos que possam hipotecar ou sobrecarregar as futuras comissões.
No plano logístico, Verónica Cunha detalhou a operação que conta com uma equipa de 12 elementos (10 da comissão e duas colaboradoras). O programa musical foi desenhado para agradar a diferentes públicos, contando com as atuações confirmadas de Pedro Miguel, Duo Ofir, DJ Mook, Banda de Ribadave e a dinamização de uma Noite Branca. Para além da música, a comissão comprometeu-se a manter o espaço de convívio aberto nas semanas que antecedem o evento, garantindo o fluxo de visitantes através de uma oferta gastronómica com grelhados, pataniscas e bifanas.
Embora o sucesso do reerguimento da festa profana (a vertente pagã, que esteve interrompida) tenha sido amplamente celebrado, o representante da paróquia lançou um alerta de carácter crítico: a necessidade urgente de integrar jovens e cidadãos de meia-idade na organização. Perante o envelhecimento demográfico da freguesia, a renovação geracional da equipa é vista como o único caminho para garantir a sustentabilidade futura do evento. Atualmente, a comissão já se encontra a finalizar a seleção de novos membros mistos para a próxima edição.
“A celebração do padroeiro, Divino Salvador, é um pilar fundamental para a comunidade e deve ser preservada com honestidade e compromisso.” — salientou Faria, membro da comissão anterior.
O espírito de entreajuda e a união dos bentenses foram os pontos mais elogiados pelos habitantes e antigos organizadores. Armindo Amaro, um dos pioneiros que no passado ajudou a recuperar a festa em condições muito difíceis, recordou o esforço de reabilitação das infraestruturas locais e elogiou o trabalho da atual equipa. “Com poucos elementos, conseguiram fazer uma festa boa, isso é o mais importante“, referiu.
O comércio e os residentes também dão a cara pela continuidade da tradição. Paulo Carvalho, proprietário do Café Sampaio, e Jaime, proprietário de um talho, residentes em Bente, destacaram o hábito de visitar o recinto todos os sábados para colaborar nos “comeres e bebes“, convertendo o consumo em patrocínio direto para a comissão. Jaime expressou o sentimento geral da paróquia ao afirmar que a vertente festiva “faz falta para o povo e faz falta para tudo“, mostrando-se inclusive disponível para assumir cargos de liderança no futuro, desde que apoiado por um grupo unido.
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