No debate do programa “Analisar Factos”, IL, PS e CDU exigiram auditorias e explicações ao autarca Mário Passos. Chega opta por postura “construtiva” e relativiza desvios financeiros.
Os partidos da oposição com assento na Assembleia Municipal de Vila Nova de Famalicão protagonizaram, esta quarta-feira, dia 15, um aceso debate político no programa “Analisar Factos”, da Famalicão Canal TV. No centro da discussão estiveram as derrapagens financeiras nas obras públicas — que já totalizam cerca de cinco milhões de euros —, o risco de perda de fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e suspeitas de favorecimento imobiliário no novo acesso ao hospital. À exceção do Chega, que assumiu uma postura de neutralidade, as forças da oposição (IL, PS e CDU) uniram-se na exigência de auditorias externas e num pedido de esclarecimento urgente ao presidente da Câmara Municipal, Mário Passos.
Embora todos os quadrantes políticos representados no debate — CDU, IL, Chega e PS — tenham concordado que as obras estruturais em curso no concelho (como escolas, centros de saúde e acessos ao hospital) são vitais para o desenvolvimento de Famalicão, a harmonia terminou, assim que o foco se virou para a gestão financeira e o planeamento urbanístico da autarquia.
O embate sobre os desvios de 5 milhões de euros
O representante da Iniciativa Liberal, Miguel Fidalgo, lançou duras críticas ao executivo camarário, classificando a gestão atual como uma “política de montra“. Fidalgo denunciou a falta de planeamento e a recorrência de derrapagens orçamentais que, segundo as suas contas, já acumulam um desvio de cinco milhões de euros. Para o liberal, impõe-se uma maior transparência, a realização de auditorias rigorosas e a responsabilização direta dos promotores das obras.
Na mesma linha, Sílvio Sousa, porta-voz da CDU, apontou a falta de fiscalização e de planeamento como as causas estruturais para as sucessivas derrapagens. O deputado municipal criticou o executivo por não dialogar com as forças da oposição e por não prestar esclarecimentos sobre o Plano Diretor Municipal (PDM) e o impacto urbanístico das novas intervenções, sublinhando que o papel da oposição “existe para questionar e não apenas para validar“.
Em contrapartida, Camilo Pinheiro, do Chega, demarcou-se do tom mais duro dos restantes partidos. Defendendo uma postura que apelidou de “oposição construtiva“, o representante do Chega desvalorizou as derrapagens financeiras, considerando-as, na sua maioria, “erros técnicos normais e necessários” para garantir a qualidade final das empreitadas. Validando a importância dos projetos em curso, Pinheiro justificou a opção do seu partido pela abstenção ou neutralidade nas votações, em vez de uma postura de reprovação sistemática.
Alertas sobre o PRR e suspeitas no acesso ao hospital
O Partido Socialista, pela voz de António Varela, manifestou profunda preocupação com a opacidade da liderança de Mário Passos. Varela alertou que os constantes atrasos e a alegada má gestão das obras colocam em risco real o aproveitamento das verbas comunitárias do PRR. A concretizar-se este cenário, o socialista adverte que o orçamento municipal será severamente sobrecarregado a longo prazo para cobrir os custos adicionais.
O debate subiu de tom quando PS e CDU levantaram suspeitas de favorecimento privado relativamente ao traçado da nova via de acesso ao hospital de Famalicão. António Varela sugeriu que o desenho do projeto poderá estar a beneficiar interesses imobiliários privados em detrimento do interesse público e de uma visão verdadeiramente estratégica para a mobilidade da cidade.
Oposição aperta o cerco e exige esclarecimentos a Mário Passos
Face ao cenário traçado, a oposição assumiu o compromisso de manter uma monitorização rigorosa sobre a execução das obras e o planeamento urbano. IL, PS e CDU prometeram continuar a pressionar o executivo para a realização de auditorias externas independentes, bem como para a publicação obrigatória de relatórios detalhados que exponham o desvio percentual entre o valor inicialmente adjudicado nas obras e o valor real pago no final.
Os partidos exigem agora uma tomada de posição pública e formal por parte do Presidente da Câmara, Mário Passos, para esclarecer tanto as causas das derrapagens financeiras como o ponto de situação do PDM.
O debate sobre o rumo do concelho promete continuar nas próximas semanas.
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