Véspera de São João consagrou a capital minhota com uma forte adesão popular, unindo rituais religiosos, desfiles etnográficos, concertos filarmónicos e o emblemático fogo de artifício.
A noite mais aguardada do ano transformou Braga num vibrante palco de celebração coletiva esta terça-feira, reunindo milhares de cidadãos e visitantes nas artérias da cidade para celebrar a véspera de São João. O dia 23 de junho afirmou-se como o ponto alto das festividades sanjoaninas, conciliando atos institucionais, manifestações de cariz popular, folclore, gastronomia espontânea e uma vasta programação musical que revalidou o evento como a maior e mais identitária manifestação do género em território nacional.
As celebrações começaram logo pela manhã com a preservação do pilar devocional do programa, através da habitual Novena a São João Baptista na Igreja de São Lázaro, momento que sublinhou as origens sacras da festividade e a ligação histórica da população ao santo precursor. Pouco depois, o centro histórico foi tomado pelo Cortejo da Mordomia, iniciativa da Associação de Festas de São João de Braga que desfilou até à Praça Municipal com a participação de destacadas entidades civis, militares e religiosas da região.
A subsequente sessão de Abertura Oficial das Festas revestiu-se de solenidade com a interpretação dos hinos de Braga e de São João, culminando no repique festivo dos sinos, no lançamento de confetes e na largada de um balão gigante. Ao longo do dia, o ambiente sonoro foi enriquecido pelas Bandas Filarmónicas de Cabreiros, Barroselas e Vale de Cambra, reunidas no Largo do Paço, bem como pelo “Momento Bombástico“, um despique de bombos que concentrou vários grupos de percussão num espetáculo focado na energia e no ritmo da identidade minhota.
À medida que a tarde avançava, os carrilhões de igrejas emblemáticas como a Sé Primaz, Santa Cruz, São Vicente e o Bom Jesus anunciaram em uníssono a proximidade da grande noite. Um dos pontos mais elevados do envolvimento comunitário registou-se durante o Cortejo das Rusgas, que estabeleceu um percurso colorido entre o Campo das Hortas e o Parque da Ponte. Grupos populares trajados a rigor exibiram cantares e danças tradicionais, num testemunho vivo da autenticidade cultural bracarense.
Em paralelo, os palcos montados junto aos Granjinhos e ao Hotel Mercure acolheram as atuações de criadores da região, como Ana Rita, Nene Oficial, Nuno Coelho, Ana Rita Caldas, Miguel RIVA e Maria Cunha. Esta aposta explícita na valorização dos talentos locais complementou o ambiente vivido nos arraiais minhotos que proliferaram pela malha urbana, onde os tradicionais martelos, manjericos e alhos-porros ditaram o compasso do convívio até altas horas.
Com chegada da madrugada, as atenções viraram-se em absoluto para o Monte do Picoto. À uma da manhã, o tradicional espetáculo de fogo de artifício iluminou os céus da cidade numa composição pirotécnica de luz e cor que empolgou a multidão. O encerramento da jornada festiva fez-se no Parque da Ponte ao som do conjunto Siga a Farra, cuja atuação garantiu a animação dos presentes até ao romper do dia, secundada pelas performances de vários DJs instalados na Avenida Central.
O balanço da principal jornada das Festas de São João de Braga confirmou a forte capacidade de mobilização da comunidade local e a eficácia de uma programação que equilibra o património histórico com o lazer contemporâneo. O evento encerra mantendo o estatuto de símbolo maior da identidade cultural e orgulho coletivo da cidade de Braga, unindo gerações consecutivas em torno das suas mais ricas tradições.
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