A Assembleia Municipal de Vila Nova de Famalicão, realizada na passada sexta-feira, dia 8, foi palco de duras críticas da CDU ao executivo local. Através da deputada municipal Tânia, a coligação PCP-PEV atacou a reorganização dos serviços municipais, a gestão do direito à habitação e o atual modelo de transportes públicos da CIM do Ave.
No centro da discussão esteve a nova estrutura dos serviços municipais. A CDU denunciou a possibilidade de criação ilimitada de cargos de direção intermédia, classificando a proposta como um passo para uma estrutura “mais pesada, mais hierarquizada e mais cara”. Para a coligação, esta medida não traz benefícios aos munícipes, representando antes um risco de proliferação de “tachos” na administração local.
Relativamente à crise habitacional, a deputada Tânia afirmou que o município se tem limitado a “remendar” o problema, sem enfrentar a especulação imobiliária. A CDU defendeu o reforço da habitação pública, lamentando que um direito fundamental tenha sido transformado num “negócio para poucos“.
O setor da mobilidade também mereceu reparos severos. A coligação criticou o modelo de transportes da CIM do Ave por favorecer “rendas garantidas para privados” em detrimento da qualidade do serviço. Como alternativa, a CDU propôs a criação de um passe intermodal regional, maior investimento na ferrovia e a reativação da linha Famalicão–Póvoa.
Um dos momentos de maior consenso — ainda que por motivos negativos — foi o debate sobre a transferência de competências para as freguesias. A CDU sublinhou que os próprios presidentes de Junta confirmaram o que a força política já previa: as verbas transferidas são insuficientes para os encargos assumidos. “A transferência de competências deve ser acompanhada pela respetiva transferência de verbas para garantir a coesão territorial”, defendeu a coligação.
A CDU encerrou a sua intervenção alertando ainda para os processos de desafetação de terrenos públicos, temendo a entrega de património ao setor privado sem garantias de interesse coletivo, e reafirmou o seu compromisso com uma gestão municipal mais transparente e orientada para as necessidades reais da população famalicense.
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