Cerimónia presidida pelo Arcebispo Primaz assinala o legado espiritual, social e patrimonial do antigo pároco que liderou a comunidade durante mais de seis décadas.
A comunidade da vila de Joane reuniu-se numa emotiva homenagem ao Padre Manuel de Sousa e Silva, marcada pela inauguração de um monumento em sua memória. A cerimónia, que contou com a presença e presidência do Arcebispo Primaz, serviu para celebrar os 66 anos de dedicação do antigo pároco à freguesia. O memorial foi erguido por iniciativa do Padre António Carvalho Azevedo, perpetuando o impacto e a herança espiritual, social e cultural deixados pelo sacerdote, falecido em agosto de 2019.
O evento converteu-se num momento de profunda gratidão coletiva, onde se recordou o percurso do clérigo que marcou gerações na paróquia do Divino Salvador de Joane. Nascido em 1929, em Guimarães, e ordenado presbítero em 1953, o Padre Manuel de Sousa e Silva iniciou funções na vila nesse mesmo ano como vigário cooperador, assumindo o cargo de pároco definitivo em junho de 1959, missão que abraçou até ao fim da sua vida.
O grande legado: Da nova igreja ao Centro Social
O percurso do homenageado confunde-se com o próprio crescimento de Joane. Entre os seus maiores marcos patrimoniais destaca-se a conclusão da nova igreja paroquial, inaugurada em setembro de 2003. Uma obra complexa que exigiu resiliência face a várias contrariedades e que o Padre Manuel fez questão de reformular arquitetonicamente após o Concílio Vaticano II, adaptando o projeto original às novas normas litúrgicas com a colaboração do arquiteto Rui Pacheco e do artista António Lino.
Para além do templo e do órgão de tubos que legou à paróquia, a sua ação pastoral destacou-se pela forte componente social e associativa:
Apoio Social: Fundou o Centro Social Paroquial, com valências direcionadas para a infância, terceira idade e famílias carenciadas.
Juventude e Dinamismo: Foi o fundador do Agrupamento do Corpo Nacional de Escutas de Joane e impulsionou os movimentos da Ação Católica.
Proximidade: Era reconhecido pelas suas “portas abertas”, mantendo-se disponível no confessionário de forma exemplar, especialmente aos sábados, dias de feira semanal.
“A arte desta igreja, cuja construção ocupou grande parte do percurso do padre Manuel como responsável e pastor da comunidade é (…) o espelho da sua alma de artista“, destacou um dos oradores durante as celebrações.
Gratidão e comunhão eclesial
O ato solene serviu também para reconhecer figuras-chave que caminharam ao lado do antigo pároco, como o seu irmão, o Cónego Manuel Fernando de Sousa e Silva — considerado o seu “braço direito” nas tarefas pastorais —, e os vários sacerdotes naturais da terra com quem manteve estreita ligação e partilhou a sua reconhecida erudição em história contemporânea.
A fechar a homenagem, a comunidade expressou o seu agradecimento ao Arcebispo Primaz, aproveitando o momento para vincar o compromisso de continuidade, fidelidade e comunhão com a hierarquia da Igreja na pessoa do atual pároco de Joane, o Padre Avelino dos Santos Mendes.
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