Confrontado com o descontentamento dos famalicenses devido ao fecho de estradas e parques, o autarca assegura que o espaço já estava projetado para expansões e prioriza a segurança face à forte afluência de público.
O Presidente da Câmara Municipal de Famalicão, Mário Passos, defendeu esta quinta-feira, dia 11, a polémica instalação de equipamentos de diversão em plena Avenida José Manuel Marques, junto ao recinto da feira semanal. À margem da reunião de Câmara, o autarca reagiu à contestação dos munícipes — que criticam, pela primeira vez, a colocação de carrosséis na via pública —, sublinhando que a prioridade do executivo é garantir a segurança face à escala monumental que as Festas Antoninas alcançaram. No entanto, o edil, que assume também o papel de professor, não descarta recuar no futuro caso a avaliação pós-evento prove que “os constrangimentos são maiores que os benefícios”.
Uma extensão da cidade já planeada
Questionado sobre a desaprovação da maioria dos famalicenses relativamente à ocupação da estrada, Mário Passos começou por apelar à memória dos críticos e dos jornalistas, lembrando que o desenho daquela via foi pensado precisamente para este tipo de cenários desde o mandato do seu antecessor, Paulo Cunha.
“Por que é que naquela estrada há uma plataforma sobrelevada? Porque na altura em que desenvolvemos a obra aquilo ficou previsto para, se fosse necessário, estender e acrescentar espaço à cidade“, justificou o autarca.
Segundo o presidente, a forte mobilização de visitantes obrigou à tomada de medidas excecionais. Para ilustrar a dimensão do desafio logístico, Mário Passos evocou as “dezenas e dezenas de milhares de pessoas” que encheram o concerto da última terça-feira. “Aquelas pessoas primeiro têm que caber num determinado espaço e nós temos de garantir condições de segurança“, reforçou.
O autarca famalicense admitiu ter consciência de que o encerramento de parques de estacionamento e de vias rodoviárias causa transtornos graves no quotidiano da cidade, mas defendeu que o impacto positivo do evento compensa as falhas temporárias.
“São constrangimentos, mas aquilo que nós temos colocado no prato da balança são as virtudes do que se faz“, explicou, comparando o cenário ao impacto inevitável de uma obra pública que, apesar do ruído inicial, traz um resultado final positivo.
Apesar da postura defensiva, e perante os testemunhos recolhidos pela equipa de reportagem que dão conta da novidade e do incómodo desta ocupação da via pública, Mário Passos garantiu que a decisão não é irreversível e que haverá uma auditoria interna após o encerramento do certame.
“Como tudo na vida, e eu sendo professor, mais ainda, temos que fazer avaliações. Se nós concluirmos que, porventura, os constrangimentos são maiores que os benefícios, nós cá estamos, obviamente, para corrigir“, prometeu.
Para já, o líder do município manifesta-se orgulhoso do rumo das festividades, classificando as Antoninas deste ano como “completamente memoráveis” e mostrando-se convicto de que, apesar das perturbações, a maioria dos famalicenses compreende a necessidade destas medidas de exceção.
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