Centenas de leitores e festivaleiros rumaram a Vila Verde para celebrar a gastronomia ancestral, onde 27 sopas tradicionais foram confecionadas a fogo lento por associações locais.
Todos os caminhos deram a Sabariz, freguesia do concelho de Vila Verde, na tarde deste sábado, dia 19. A comunidade local voltou a cumprir a tradição e transformou a localidade no ponto de encontro de milhares de visitantes vindos de vários cantos de Portugal — desde o Algarve a Trás-os-Montes — e até do país vizinho, Espanha.
Organizado pelas associações da comunidade, com o apoio da Junta de Freguesia e do Município de Vila Verde, o evento realiza-se desde 2012 com um propósito bem definido: manter viva a memória gastronómica dos avós e bisavós, oferecendo caldos confecionados nos tradicionais potes de ferro a chamas de lenha.
“É um evento extraordinário que junta famílias e enaltece a nossa freguesia. Já tivemos pessoas que deixavam as férias no Algarve para vir até aqui.” — Maria Amélia, cozinheira voluntária
Uma Maratona Gastronómica com 27 Sopas
Nas bancas distribuídas pelo recinto, o vapor e o aroma dos potes em ebulição marcavam o ritmo da festa. Ao todo, foram confecionadas 27 sopas diferentes, desde as receitas mais populares às mais invulgares.
O Saber Fazer das Mãos da Terra
Por trás das grandes panelas esteve a dedicação de dezenas de voluntários da freguesia, enfrentando o calor e o fumo do fogo de lenha para alimentar a multidão.
Entre os rostos da organização estava Zulmira, residente em Sabariz, a preparar o tradicional caldo de farinha e o de bacalhau: “É uma sopa forte, leva feijão branco, arroz e cebola aos quadradinhos. As pessoas aderem porque antigamente se fazia muito isto nas nossas casas.“
Numa das maiores panelas do recinto, uma estrutura de 150 litros, Maria Amélia cuidava da sopa de rabo de boi: “É preciso cozinhar com muita paciência e cautela porque o calor propaga-se ao redor. Tem que se estar constantemente a mexer para não queimar.“
Já Rosa Gomes, presente em todas as edições desde 2012, preparava o cobiçado caldo de castanhas com feijão-frade, moendo as batatas à moda antiga: “Tenho à volta de 80 litros neste momento, mas depois faço mais um pote. E vai tudo, não chega para as encomendas.”
O evento atrai tanto entusiastas da boa mesa como especialistas na matéria. Entre os provadores esteve Mário, vindo de Guimarães, criador do projeto Portugal 900 Anos, 900 Sopas: “Vim cá pela curiosidade de provar estas sopas. Vou selecionar algumas destas 27 para fazerem parte do projeto nacional de divulgação gastronómica.”
Para além da comida, o ambiente de convívio intergeracional e comunitário foi o verdadeiro destaque do dia, provando que a sopa continua a ser um símbolo de identidade e saúde à mesa portuguesa.
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