Nova associação foca-se na ação social e no combate ao individualismo, promovendo o voluntariado e o acolhimento na freguesia.
A manhã de domingo em Oliveira São Mateus vestiu-se de festa para celebrar a fundação oficial do novo núcleo da Fraternidade Nuno Álvares (FNA). A cerimónia solene marcou a integração formal deste movimento escutista adulto na comunidade local, apresentando uma estrutura que nasce com o forte propósito de atuar na área da ação social e no apoio direto aos cidadãos mais vulneráveis.
O evento contou com uma moldura humana significativa e com a presença de diversas individualidades regionais e locais, entre as quais o Presidente da Junta de Freguesia de Oliveira São Mateus, Carlos Valente, acompanhado pelo seu executivo; a Vereadora da Ação Social da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, Susana Pereira; o Assistente Espiritual e Pároco local, Padre Vítor Rodrigo; e o Presidente da Direção Regional de Braga da FNA, Fernando Pereira, além de representantes de vários outros núcleos da fraternidade.
O “Oitavo Sacramento” e o Espírito de Missão
Durante a celebração da Eucaristia, o Padre Vítor Rodrigo felicitou publicamente os cinco fundadores locais — Ricardo, Carlos Cardoso, Bento, Gino e Sandra — pela “ousadia e coragem” em dar início a este projeto. Na sua homilia, o pároco centrou-se na importância do acolhimento humano, apelidando-o de “oitavo sacramento” num mundo marcado pelas barreiras sociais.
“Acolher não significa apenas abrir a porta de casa. Significa abrir a porta do coração“, sublinhou o sacerdote, acrescentando que o cristianismo e o Evangelho existem “para nos levar a fazer o bem“.
Por seu turno, Fernando Pereira, Presidente da Direção Regional de Braga da FNA, destacou que o regresso dos antigos escuteiros ao ativo através deste núcleo reforça a máxima de que “somos escuteiros toda a vida“. O dirigente realçou que o foco da instituição está no crescimento assente na qualidade e no serviço estruturado: “Se for sozinho, posso chegar mais depressa ao local, mas se for bem acompanhado, com certeza irei fazer um trabalho muito melhor e muito mais profundo“. Embora a atividade pública tenha sido oficializada agora, o responsável revelou que o grupo já trabalha nos bastidores há cerca de meio ano, tendo a sua génese administrativa ocorrido a 30 de outubro de 2025.
Proximidade e Combate ao Isolamento Social
Em declarações aos jornalistas, o Vice-Presidente do Núcleo da FNA de Oliveira São Mateus, Ricardo Pereira, assumiu que a grande missão do grupo passa por ser um elo de ligação (“interface“) entre a paróquia, a autarquia e a sociedade.
“Estamos aqui ao serviço da comunidade (…), tanto da paróquia como da junta de freguesia e pessoas mais vulneráveis que precisem da nossa ajuda“, explicou Ricardo Pereira. Confrontado com o crescente individualismo na sociedade contemporânea, o responsável admitiu os desafios de angariação de voluntários, mas garantiu o foco em “arregaçar as mangas” para mitigar o isolamento.
A visão foi partilhada por Carlos Valente, Presidente da Junta de Freguesia, que manifestou um “enorme orgulho” pelo novo movimento associativo. O autarca partilhou que a pandemia da COVID-19 acentuou uma tendência global em que “as pessoas se viraram muito para o eu” e aproveitou a ocasião para lembrar o trabalho invisível das instituições locais, exemplificando com as tarefas de manutenção do parque público que ele próprio realizou na madrugada anterior para acolher as atividades escutistas. Carlos Valente relembrou ainda que a FNA está aberta também a cidadãos que não foram escuteiros na infância, bastando realizarem a formação necessária.
Apoio Municipal à Retoma de Caminhos
À margem da cerimónia, a Vereadora da Ação Social do município famalicense, Susana Pereira, considerou a criação daquele núcleo uma “mais-valia” crucial para sinalizar carências no terreno, servindo de extensão aos serviços centrais de segurança social.
Questionada sobre as atuais políticas governamentais de revisão de subsídios e a necessidade de as ajudas públicas serem temporárias para promover a autonomia, a vereadora defendeu uma abordagem humanizada. “Cada caso é um caso, as pessoas não são números e temos sempre que ter isso em atenção“, concluiu a autarca, salvaguardando que, enquanto uns cidadãos necessitam de apoio contínuo para a vida inteira, outros precisam apenas de um impulso momentâneo para retomar a sua independência.
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