Comunidade Intermunicipal apresenta projeto AVE GLOBAL e a nova marca territorial AVE.FAZ até 2028, focando-se na industrialização, inovação e capacitação jovem.
A Comunidade Intermunicipal (CIM) do Ave apresentou, no Teatro Cinema de Fafe, o projeto AVE GLOBAL, uma iniciativa estratégica dotada de um orçamento superior a 880 mil euros e financiada pelo programa NORTE 2030. Com execução prevista até maio de 2028, o plano visa potenciar a atratividade económica local, impulsionar o empreendedorismo e projetar internacionalmente as indústrias especializadas da sub-região. A sessão pública, que registou uma expressiva afluência e uma forte presença de jovens, serviu também de palco para o lançamento da nova marca territorial unificada: “AVE.FAZ – território global”.
Aprovado no âmbito do Programa das Ações Coletivas de Qualificação de Base Local NUTS III, o projeto conta com o aval e apoio financeiro da CCDR-NORTE. Na cerimónia de abertura, Antero Barbosa, presidente da Câmara Municipal de Fafe e vice-presidente da CIM do Ave, reiterou o papel crucial da cooperação intermunicipal na superação dos atuais desafios económicos, defendendo que nenhum município detém capacidade para atuar isoladamente com o mesmo impacto. Maria José Fernandes, vice-presidente da CCDR-NORTE, corroborou esta visão ao classificar o AVE GLOBAL como um “compromisso coletivo” alicerçado no histórico de resiliência e inovação demonstrado pelo tecido empresarial e pelas gentes locais.
A estratégia desenhada foca-se na diplomacia económica, na promoção territorial, na formação avançada de recursos humanos e na criação de ecossistemas favoráveis a novos modelos de negócio. O plano estrutural incidirá em três pilares setoriais de especialização: industrialização e sistemas avançados de fabrico; criatividade, moda e habitats; e, por fim, sistemas agroambientais e alimentação.
A sub-região do Ave agrega atualmente mais de 422 mil residentes, 48 mil empresas e uma força de trabalho ativa de cerca de 180 mil profissionais. Em 2023, o volume de negócios gerado na região ascendeu aos 17,3 mil milhões de euros, com as exportações de bens a fixarem-se nos 4,85 mil milhões de euros. Estes dados consolidam a importância do Ave no panorama macroeconómico português, sendo a sub-região responsável por 17,9% das exportações da Região Norte e por 6,3% do total nacional.
O setor da indústria transformadora mantém-se como o motor principal da economia do Ave, concentrando 43,1% do emprego empresarial e gerando 48,3% da faturação total. Representantes da AICEP, da PortugalFoods e do Cluster Têxtil sublinharam, durante o evento, que a robustez das cadeias de valor integradas e o saber-fazer acumulado reduzem os riscos operacionais, funcionando como um elemento altamente atrativo para o investimento estrangeiro.
A retenção de capital humano qualificado foi identificada pelos especialistas presentes na mesa-redonda como o desafio mais urgente para a competitividade futura da região. Para assegurar a fixação de jovens quadros, os oradores frisaram que o crescimento tecnológico deve ser acompanhado pela valorização salarial e por uma infraestrutura social sólida, que garanta habitação acessível, mobilidade, dinamismo cultural e qualidade ambiental.
Com o propósito de agregar a identidade económica dos oito municípios parceiros e projetar externamente esta capacidade produtiva, foi desenhada e apresentada a marca AVE.FAZ. O logótipo adota uma forma circular que espelha a união territorial e a abertura ao mercado externo, integrando oito elementos entrelaçados. De acordo com os criadores da identidade visual, a marca não altera a essência do Ave, mas atualiza-a e posiciona-a à escala global, partindo do princípio basilar do “saber-fazer“.
No encerramento dos trabalhos, Guilherme Emílio, primeiro-secretário intermunicipal da CIM do Ave, salientou que o projeto representa uma profunda transformação de posicionamento estratégico e apelou ao envolvimento coletivo de autarquias, empresas e cidadãos. “O Ave sabe, o Ave inova, o Ave cria. O Ave não espera. O Ave faz“, concluiu, assinalando o início de um novo ciclo de cooperação económica regional.
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