Antigo “rio colorido” pela indústria têxtil ganhou nova vida com o Parque da Devesa, mas descargas residuais recentes continuam a desafiar as autoridades locais.
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Jovens Repórteres Para O Ambiente – AEPBS (Artigo)
O rio Pelhe, um curso de água com cerca de 20 quilómetros de extensão e afluente do rio Ave, consolidou-se como um elemento central e uma referência de lazer para os habitantes de Vila Nova de Famalicão, especialmente após a inauguração do Parque da Devesa em 2012. No entanto, apesar do esforço municipal e estratégico para a sua despoluição, o ecossistema continua vulnerável. Episódios recentes de descargas poluentes, registados em novembro de 2024 e julho de 2025, demonstram que o passado de poluição do rio ainda não foi totalmente superado, mantendo a comunidade e as autoridades em alerta.
Um Passado Marcado pela Indústria
Durante as décadas de 1970 e 1980, o forte desenvolvimento da indústria têxtil na região alterou profundamente o equilíbrio natural do rio Pelhe. O curso de água, que nasce na freguesia de Portela e desagua em Lousado — atravessando localidades como Telhado, Vale de São Cosme, Gavião, Antas, Calendário e Esmeriz —, tornou-se frequentemente “colorido” devido a descargas ilegais de resíduos de tinturaria e de águas residuais domésticas sem qualquer tratamento.
Este cenário trágico começou a mudar em 2001, ano em que a Câmara Municipal idealizou a criação de um parque urbano. A concretização do Parque da Devesa, concluída em setembro de 2012, funcionou como o verdadeiro ponto de viragem, obrigando a autarquia a assumir a despoluição do rio como um objetivo estratégico central.
As Medidas de Intervenção
Para reverter o impacto de décadas de abandono ambiental, o executivo municipal implementou um conjunto de medidas rigorosas:
Identificação de focos de poluição ao longo da bacia hidrográfica;
Campanhas de sensibilização direcionadas para as empresas locais;
Regularização das ligações de saneamento de habitações e indústrias;
Ações de fiscalização contínuas, com especial foco nas imediações da zona ribeirinha.
“Ouvir o som da água a correr pelas pedras convida ao descanso e ao lazer, tornando o rio um elemento central da cidade.”
Retrocessos Recentes e Alerta da População
Apesar do compromisso autárquico, o Pelhe continua a sofrer acidentes ambientais. Em novembro de 2024, um entupimento na zona de lavagem de veículos das oficinas gerais do próprio município resultou numa descarga indevida de efluentes na rede de águas pluviais que ligam ao rio. Mais recentemente, em julho de 2025, um novo entupimento no saneamento de uma rua central da cidade voltou a provocar a fuga de águas residuais para o caudal.
Utilizadores frequentes do Parque da Devesa relatam que, ocasionalmente, ainda são visíveis alterações na cor e no cheiro da água, o que evidencia a fragilidade do processo de recuperação.
Fiscalização e Intervenção Comunitária
O Município de Famalicão assegura que mantém o empenho total no combate à poluição das linhas de água do concelho, priorizando o rio Pelhe pelo seu papel icónico no ex-libris da cidade.
As autoridades relembram ainda que a proteção do rio depende também da cidadania ativa. Qualquer irregularidade detetada pode e deve ser reportada de imediato:
Agência Portuguesa do Ambiente (APA): Através de queixa formal nas plataformas oficiais.
Linha SOS Ambiente e Território (GNR/SEPNA): Através do número 808 200 520.
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