Descentralização cultural, acessibilidade para pessoas com deficiência e preservação do património etnográfico marcaram o programa da maior festa popular do país.
O segundo dia das Festas de São João de Braga de 2026 ficou marcado pela descentralização das atividades pelas freguesias do concelho, pela introdução de medidas de inclusão social e pela valorização do património cultural e musical da região. O programa do dia conciliou as habituais celebrações religiosas com exposições artísticas, concursos tradicionais e uma oferta musical que abrangeu desde os cordofones minhotos até às sonoridades contemporâneas.
As celebrações iniciaram-se no plano religioso com a realização da Novena a São João Baptista na Igreja de São Lázaro. No plano comunitário, a iniciativa “São João na Minha Freguesia” mobilizou a população local na criação de instalações artísticas coletivas baseadas na cultura popular e na devoção sanjoanina. A Presidente da Associação de Festas de São João de Braga, Ana Daniela Pereira, realizou uma visita institucional a estas obras de arte pública com o objetivo de assinalar o esforço de descentralização do evento, refere uma nota enviada às redações.
A vertente social da edição deste ano destacou-se com a inauguração da exposição “São João à cor do Daltonismo”, patente no Palácio do Raio, que assinala a certificação do São João de Braga com o sistema de identificação de cores ColorADD.
Para além desta ferramenta de acessibilidade visual, a organização implementou outras medidas inclusivas: Interpretação de concertos em Língua Gestual Portuguesa; Disponibilização do programa oficial das festividades em formato braille; Alargamento do número de lugares reservados a cidadãos com mobilidade condicionada.
O período vespertino contou, ainda, com uma ação de animação desenvolvida por utentes e funcionários do IRIS (Instituto de Reabilitação e Integração Social), inserida no projeto “Da Tradição à Inclusão”.
Preservação do Património e Tradições Populares
No âmbito da salvaguarda histórica, o Museu do Traje Dr. Gonçalo Sampaio inaugurou a exposição “Memórias em Cartaz – 90 anos a Preservar a Tradição”, uma retrospetiva que homenageia o percurso do Grupo Folclórico Dr. Gonçalo Sampaio na defesa da etnografia regional através do seu arquivo de cartazes.
Simultaneamente, no Braga Parque, teve lugar a abertura oficial do concurso das Cascatas Sanjoaninas. A mostra reúne trabalhos de várias associações e entidades locais que recriam, em modelos tridimensionais miniaturalizados, os símbolos e episódios associados às festividades de São João, estando a decorrer a votação para eleger a “Melhor Cascata“.
Música Tradicional e Diversidade de Géneros
A programação musical do segundo dia incidiu na transmissão intergeracional e na diversidade de estilos. No final da tarde, a Praça da República acolheu o concerto “Cavaquinho na Escola”, protagonizado por estudantes do ensino primário do concelho, numa iniciativa que visa promover a preservação dos instrumentos tradicionais e reforçar o estatuto de Braga como Capital do Cavaquinho.
A noite prosseguiu na Avenida Central com a atuação da Orquestra de Cordofones Tradicionais do Minho, que apresentou um repertório focado em instrumentos identitários da região, como as violas braguesas e os cavaquinhos. Em simultâneo, o Parque da Ponte serviu de palco ao concerto da banda Funky Friends, que encerrou o programa diário com um alinhamento musical dedicado aos géneros funk, soul e pop.
PUBLICIDADE

























Comentários sobre o post