Município investe no desporto e no envelhecimento ativo, mas oposição socialista avisa para a falta de transparência nos custos e prazos das fases seguintes da obra.
O Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, Mário Passos, anunciou a abertura de um concurso público para a construção de uma piscina coberta de 50 metros, a instalar no complexo das piscinas municipais. O projeto, há muito ambicionado pela comunidade, visa responder às necessidades de competição do Grupo Desportivo de Natação e alargar a capacidade do programa sénior “Mais e Melhores Anos”. Apesar de o Partido Socialista (PS) partilhar da relevância estratégica da infraestrutura, a vereadora Cláudia Vieira criticou o faseamento da obra e a escassez de dados orçamentais e cronológicos fornecidos pelo executivo.
O anúncio foi feito durante a última reunião de câmara, onde Mário Passos classificou a futura piscina olímpica (dotada de quatro pistas de 50 metros) como um “sonho antigo” que irá finalmente tornar-se realidade. Financiada numa primeira fase pelo Orçamento Municipal, a nova valência servirá não só os atletas de alta competição e a Escola Municipal de Natação, mas também a população sénior do concelho, ajudando a escoar as listas de espera do projeto de hidroginástica “Mais e Melhores Anos“, que conta atualmente com cerca de 4.500 utentes e tem os tanques periféricos saturados.
O autarca explicou que a empreitada global será faseada. Numa fase posterior, o complexo sofrerá uma modernização profunda que inclui a remodelação dos balneários atuais, a alteração da portaria para criar uma entrada autónoma para a zona exterior, o alargamento do espaço verde e a criação de um parque aquático infantil. Mário Passos estima que os trâmites do concurso público durem entre cinco a seis meses, antecipando o início dos trabalhos para o final deste ano ou início de 2027. Para as intervenções futuras, o autarca admitiu a necessidade de recorrer a financiamento bancário, salvaguardando que o município dispõe de uma “almofada financeira” sólida fruto da baixa dívida acumulada nas últimas décadas.
Oposição aponta falta de clareza orçamental
Se por um lado a oposição socialista aplaudiu o mérito da infraestrutura — sublinhando os seus benefícios para a saúde, turismo e desporto —, por outro, a vereadora Cláudia Vieira manifestou fortes reservas quanto à gestão financeira do projeto. A bancada do PS apontou que o executivo prevê gastar 3,5 milhões de euros numa rubrica de 5 milhões logo na primeira fase, deixando no escuro os custos, os prazos e o conteúdo detalhado das fases seguintes.
Cláudia Vieira alertou para o risco de futuros aditamentos orçamentais que contrariem uma política de “contas certas” e criticou a forma como a documentação foi partilhada com a oposição. Segundo a vereadora, a ordem de trabalhos foi enviada com menos de 48 horas de antecedência e sem o detalhe técnico necessário (como o cronograma e a dotação para os anos seguintes), o que, no seu entender, condiciona o escrutínio público e o trabalho dos vereadores da oposição em Famalicão. Em resposta, Mário Passos desvalorizou as dúvidas, assegurando que as explicações sobre o faseamento da obra foram devidamente esclarecidas na sessão.
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