Criticam nos prazos curtos no envio de documentação e falam em “monólogo” nas reuniões de Câmara; Cláudia Vieira desafia autarca a apresentar calendário anual.
O Partido Socialista (PS) de Famalicão, pela voz do vereador e líder da concelhia Eduardo Oliveira, acusou a liderança do Executivo municipal de falta de transparência e de tentar dificultar o trabalho da oposição. Em causa está o curto espaço de tempo na disponibilização dos dossiês para as reuniões de Câmara, uma situação que os socialistas afirmam ser uma “manobra” para impedir a análise detalhada das propostas e o debate político.
Eduardo Oliveira lamentou a postura do Presidente da Câmara, acusando-o de gerir as reuniões municipais com base num “monólogo” e de utilizar o regimento interno de forma conveniente apenas para evitar responder às perguntas formuladas pelo PS.
O vereador explicou que, apesar de o seu grupo ter concordado com a transição da agenda física para o formato digital com o objetivo de poupar tempo e custos, o prazo de entrega mantém-se excessivamente curto (cerca de 48 horas antes). Para o líder socialista, aquele modelo visa “dificultar-nos a vida para que não possamos fazer o nosso trabalho” e cria um ambiente que comparou a uma “ditadura“, onde a oposição é empurrada a “entrar muda e sair calada“.
“Se as reuniões de Câmara existem para haver discussão política, para haver debate, para melhorar a vida de todas as famílias, o que está a acontecer aqui é praticamente monólogo. O Sr. Presidente fala e só quer ser ouvido a ele“, apontou Eduardo Oliveira.
No mesmo alinhamento, a vereadora Cláudia Vieira defendeu uma modernização na partilha de informação, argumentando que o avanço tecnológico e o uso do correio eletrónico deveriam permitir o acesso faseado e contínuo aos processos à medida que dão entrada nos serviços, e não apenas nas vésperas das sessões. A autarca criticou, ainda, o atual ambiente político, referindo que as reuniões quinzenais se transformaram numa “manobra de prolongamento da campanha eleitoral” e em “propaganda“, em detrimento do verdadeiro trabalho autárquico.
A fechar a sua intervenção, Cláudia Vieira lançou um desafio direto ao Presidente da Câmara: a publicação imediata do calendário completo das reuniões de Câmara para o resto do ano corrente e para o ano seguinte. Segundo a vereadora, esta medida de planeamento facilitaria a organização da vida profissional dos vereadores sem exclusividade de funções, a agenda das associações locais e a eficácia global do trabalho do Executivo.
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