Terceira edição do evento decorre entre 5 e 7 de junho, promovendo espetáculos, debates e oficinas em torno de línguas minoritárias, ameaçadas e identitárias.
O festival internacional LÍNGUA regressa a Barcelos entre os dias 5 e 7 de junho para a sua terceira edição, trazendo uma programação que cruza teatro, música, oficinas e debates. O arranque do evento terá lugar no Theatro Gil Vicente com a peça “Feitas de Ferro, Desenhadas a Carvão”, apresentada pela companhia Era Uma Vez… Teatro, da Associação do Porto de Paralisia Cerebral. O espetáculo, baseado na obra de Carla Maia de Almeida, foca-se na criação artística inclusiva e contará com interpretação em Língua Gestual Portuguesa.
Organizado pelo Teatro de Balugas e pelo Clube UNESCO para a Salvaguarda do Teatro em Línguas Minoritárias, em parceria com o Município de Barcelos, o festival nasceu da reflexão sobre “o que perdemos quando morre uma língua“. O seu principal objetivo é afirmar as artes cénicas como um instrumento essencial para a preservação do património linguístico e cultural.
A edição deste ano dá palco ao teatro comunitário, amador, popular e étnico, trazendo a Barcelos representações de várias regiões:
Mirandês: Espetáculo “La Princesa de ls Çapatos Rotos”, interpretado por alunos de Miranda do Douro e dirigido por Duarte Martins.
Minderico: Performance e exibição do vídeo “A Cabiçalva”, dinamizados pelo coletivo da Casa do Povo de Minde e pelo Teatro de Minde Boca de Cena.
Ribamourês: Uma criação centrada neste falar de Riba de Mouro (Monção), apresentada pelo projeto Lá de Riba.
Participação internacional e destaques
O festival conta também com forte presença de fora de portas, destacando-se:
Basco: A comédia “Kutsidazu Bidea Ixabel”, pela companhia Txalo-Talo, trazendo a Barcelos a língua viva mais antiga da Europa.
Asturiano: A peça “Una de Matrimonios”, pelo grupo Teatru Carbayín, um exemplo de teatro popular numa língua recentemente classificada como Bem de Interesse Cultural nas Astúrias.
Além do teatro, o evento promove uma mesa-redonda coordenada pelo Clube UNESCO sobre a salvaguarda de línguas minoritárias e uma oficina de iniciação ao teatro físico orientada por Jorge Alonso. A música também terá espaço com concertos do grupo galego Palacio do Rei, dos mirandeses Ls Madrugadores e do projeto minhoto Phole.
Após o sucesso das edições de 2022 e 2024, que integraram dialetos e línguas como o sassarese, estremenho e o cabo-verdiano, o LÍNGUA consolida-se como um ponto de encontro europeu para a diversidade.
O festival é financiado pelo Município de Barcelos, pela Fundação Manuel António da Mota/Grupo Mota-Engil, pela CCDR-N e pela Fundação INATEL. Os bilhetes já estão disponíveis online e na bilheteira física do recinto, sendo que os espetáculos de entrada gratuita requerem o levantamento prévio de bilhete e estão sujeitos à lotação do espaço.
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