O advogado e escritor Salvador Coutinho foi o protagonista de uma sentida homenagem no passado sábado, na Fundação Cupertino de Miranda. O evento, organizado pela associação Casa da Memória Viva (CMV), serviu não só para celebrar a carreira do “decano dos escritores famalicenses“, mas também para apresentar a sua 18.ª obra, intitulada “Era uma vez uma história que não sabia contar-se”. Perante um auditório lotado, o homenageado classificou Famalicão como uma “pérola preciosa” do tecido económico nacional, mas deixou um alerta: a necessidade de investir nos jovens e na cultura para garantir a perenidade da identidade local.
Durante a sua intervenção, Salvador Coutinho sublinhou que, apesar do “excecional desenvolvimento industrial” que coloca Famalicão como o terceiro concelho exportador de Portugal, o território é ainda “jovem” (191 anos) e carece de uma aposta mais vigorosa nos seus 16 mil estudantes.
“É preciso ir ao encontro das vocações, detetar quem tem talento para escrever, ler, declamar, para que nos interessemos pelo seu destino“, afirmou o autor, defendendo que o livro deve ser um “objeto imprescindível” na mão das novas gerações.
A cerimónia contou com mensagens de figuras de relevo, como José Manuel Mendes, presidente da Associação Portuguesa de Escritores, e representantes da Ordem dos Advogados. Foi recordado o percurso cívico de Salvador Coutinho na luta contra a ditadura e a sua resiliência profissional — em 1975, viu o seu escritório ser destruído, sendo obrigado a recomeçar a carreira do zero.
Carlos de Sousa, presidente da CMV, destacou a “dedicação quase missionária” do homenageado à advocacia e a singularidade da sua técnica poética, que “faz rimar pulmão, coração e Famalicão“. No plano literário, o novo livro de poemas foi descrito pelo investigador João Paulo Braga como uma obra de “pendor vanguardista” que fixa as memórias da adolescência do autor.
O momento final da homenagem foi marcado por uma nota de preocupação urbanística. Numa conversa intitulada “Abraço à Rua da Liberdade“, Salvador Coutinho e antigos moradores — entre os quais o ex-futebolista Vítor Paneira — lamentaram o estado de degradação daquela artéria histórica de Calendário.
O autor confessou o “choque” ao ver a rua atualmente “irreconhecível” e despojada do fulgor comercial de outrora. Outros intervenientes, como o engenheiro António Neves de Carvalho, reforçaram o apelo à Câmara Municipal para que olhe de forma diferente para aquela zona, que consideram estar “ameaçada” e ao “abandono“.
A nova obra de Salvador Coutinho, com a chancela da Elefante Editores, já se encontra disponível para o público, encerrando um capítulo de reconhecimento a uma das figuras mais carismáticas da sociedade civil famalicense.
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