As comemorações da liberdade em Famalicão ganham um contorno especial de celebração da identidade local. A Casa da Memória Viva (CMV) promove, às 15 horas, no auditório da Fundação Cupertino de Miranda, no sábado, dia 25 de abril, uma homenagem a Salvador Coutinho, figura central da advocacia e das letras, que aproveitará a ocasião para lançar o seu 18.º livro: “Era uma vez uma história que não sabia contar-se”.
Em conferência de imprensa realizada ontem, segunda-feira, Salvador Coutinho, acompanhado por representantes da CMV e colegas de profissão, revisitou a sua trajetória. Natural de Espinho, mas famalicense de coração desde os nove anos, o autor recordou como a sua ética profissional foi forjada nos onze anos em que trabalhou na fábrica Mabor (atual Continental), antes de se licenciar em Direito.
“A minha formação ética foi na fábrica. Depois tive a ocasião de a aplicar como advogado, até hoje“, afirmou Coutinho, sublinhando a lealdade e o respeito que sempre nutriu pelos trabalhadores, que foram também os seus primeiros clientes na advocacia.
Para Carlos Sousa, da Associação Casa da Memória Viva, a homenagem é um ato de justiça: “Era tempo porque os faróis que brilham com a intensidade do Dr. Salvador Coutinho já não são muitos. Ele ilumina a nossa cidadania e dá brilho à nossa identidade coletiva“.
A nova obra, composta por 71 poemas, é descrita como um tributo à Rua da Liberdade, em Calendário, onde o autor viveu parte da juventude. O livro recupera a memória de uma vila que se transformou em cidade, focando-se em figuras “internecedoras” e em pequenos pormenores que, segundo o autor, enriquecem o povo famalicense.
Coutinho aproveitou o encontro para deixar um alerta crítico sobre o panorama cultural do concelho. Apesar de considerar Famalicão uma “pérola” e um “gigante industrial“, o escritor lamenta o que considera ser uma falta de investimento municipal nas letras e na preservação da memória histórica de ruas emblemáticas como a Rua da Liberdade e a Rua Direita.
A escolha do 25 de Abril para a homenagem não é casual. Salvador Coutinho foi um dos protagonistas do dia 26 de abril de 1974 em Famalicão, integrando o grupo que entrou nos Paços do Concelho para instaurar a democracia local. Sobre o estado atual do país, o advogado defende que, embora a democracia esteja construída no plano institucional, a responsabilidade pelo futuro cabe a todos.
Aos 90 anos, Salvador Coutinho mantém uma vitalidade criativa invulgar. Para além do lançamento deste sábado, revelou estar já a trabalhar em dois novos romances, reforçando o seu papel como o “decano” da literatura local.
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