Vai o tempo, como já o foi noutras ocasiões, para vacas magras.
A crise despoletada pela guerra no Irão criou um progressivo levantamento dos combustíveis, uma mola que condiciona toda as nossas vidas, o que fez subir em flecha todo e qualquer produto, essencialmente a alimentação.
Mas percebendo-se essa complicada e grave realidade, que acaba por condicionar todas as actividades, sejam públicas ou privadas, aconselhando prudência e o apertar do cinto quanto a despesas, eis que o Município de Famalicão abre os bolsos e vai de contractar gente sem fim…
Essa autarquia, liderada por Mário Passos (PSD/CDS), aprovou uma reestruturação orgânica que aumenta, exponencialmente, o número de chefias intermédias, passando de 43 para 95. Tal decisão, anoto-a como pouco prudente, representa um salto no número de cargos de chefia intermédia que cresce cerca de 121%.
Segundo cálculos essa duplicação poderá ter um custo adicional de aproximadamente 2 milhões de euros anuais. É um valor brutal…
Mário Passos veio justificar a medida – proclamou-o – com a necessidade de responder a “novos desafios” e à complexidade da gestão municipal, destacando a necessidade de especialização em áreas como a digitalização e ciber-segurança.
Devemos referir que a proposta foi aprovada com os votos da coligação PSD-CDS (esta no poder da autarquia) e do Chega. De adiantar que o Iniciativa Liberal criticou, duramente, a medida, chamando-lhe “duplicação de chefias”, enquanto o Partido Socialista (PS) votou contra a reorganização interna.
Esta forma de governação, em tempos difíceis, mostra que não se gere com bússola e nem tão-pouco com parcimónia de políticas, mas que se faz peito numa demonstração de falta de senso.
Esta forma de administrar faz lembrar a que prolifera por Lisboa, onde se distribuem lugares avulso, aos amigos, afilhados e outros que circulam no sistema político-partidário.
As Câmaras são, também, na sua esmagadora maioria pequenas capitais do País, em que se encaixa toda uma equipa de gente retirada daqui e dacoli…os que precisam do arco político para terem vida, para tirarem partido dos lugares e se deixarem andar.
Tanto que gostaria de saber como vai o relógio de ponto deste e de outros departamentos do Estado e qual, verdadeiramente, é a produtividade.
António Barreiros
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