A aprovação do novo organigrama da Câmara Municipal de Famalicão, ocorrida na reunião de executivo do passado dia 23 de abril de 2026, desencadeou uma troca de acusações entre as forças políticas locais. A Iniciativa Liberal (IL) manifestou “perplexidade” perante a proposta da coligação PSD-CDS, que prevê a duplicação dos cargos de chefia, enquanto o Partido Socialista (PS) justifica a sua abstenção com a complexidade do dossiê e o curto prazo para análise.
IL denuncia impacto financeiro e “silêncio” da oposição
Em comunicado enviado à redação, a IL Famalicão alerta para o peso financeiro da medida, estimando um custo anual de 2 milhões de euros. Para os liberais, a estrutura autárquica está a ser inflacionada sem a devida fundamentação técnica ou escrutínio por parte dos restantes partidos da oposição (PS e Chega), que se abstiveram ou estiveram ausentes no momento da votação.
A IL classifica a postura dos vereadores da oposição como “conivente“, lamentando que se tenha perdido uma oportunidade para fiscalizar o erário público de forma rigorosa perante uma decisão que terá “um peso significativo nos cofres do município“.
PS rejeita conivência e aponta falhas no processo
Em resposta às críticas, a concelhia do Partido Socialista de Famalicão rejeitou “em absoluto” qualquer insinuação de falta de escrutínio. O partido justifica a abstenção como uma decisão de “responsabilidade institucional“, fundamentada no facto de a documentação ter sido entregue apenas 48 horas antes da reunião.
“Trata-se de uma matéria muito complexa e entendemos que não estavam reunidas as condições para uma decisão definitiva naquele momento“, refere o PS, sublinhando que a abstenção permite levar o debate para a Assembleia Municipal.
Questionados sobre se os 2 milhões de euros seriam melhor aplicados em áreas como habitação ou saúde, os socialistas defenderam que qualquer aumento de despesa deve ser “ponderado face às prioridades do concelho” e que o foco deve estar na eficiência dos serviços e não na mera multiplicação de cargos.
CHEGA em silêncio
Até ao momento, a estrutura local do CHEGA, também visada pelas críticas da Iniciativa Liberal devido à ausência de oposição na reunião de câmara, não respondeu às questões enviadas pela nossa redação.
O tema deverá agora subir de tom na próxima sessão da Assembleia Municipal, onde se espera um debate mais alargado sobre a modernização administrativa versus a sustentabilidade financeira da autarquia famalicense.
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