Maioria dos famalicenses reprova corte da Avenida José Manuel Marques para as Festas Antoninas. Condutores e moradores queixam-se do impacto num trânsito já “caótico”.
Os famalicenses e demais utilizadores das estradas da cidade de Vila Nova de Famalicão depararam-se, esta tarde, com uma surpresa inesperada: o corte parcial da Avenida José Manuel Marques. A interdição da via deve-se à instalação de carrosséis e divertimentos no meio da faixa de rodagem, no âmbito das Festas Antoninas. A decisão gerou uma onda imediata de indignação, com a redação da Famalicão Canal TV a receber inúmeras queixas de cidadãos revoltados com o encerramento daquela que é uma das principais artérias da cidade.
“Nunca se viu uma coisa assim”
Entre os moradores e condutores que circulavam na zona, o sentimento dominante é de total discórdia. Para muitos, a ocupação de uma via pública com este tipo de estruturas é um erro inédito. “Em minha opinião, acho muito mal cortar a estrada. Nos anos passados tudo se fez festas e nunca se cortou a estrada. Este ano não sei porquê“, lamentou António Correia, alertando para os desvios obrigatórios que estão a sobrecarregar a zona dos bombeiros e a afetar a circulação dos autocarros.
Joaquim Veloso e José Ferreira usaram termos ainda mais duros, classificando a situação como “uma vergonha” e um “contrassenso“. “É a primeira vez na minha vida que eu vejo cortar uma avenida para meter os carroceiros. Deviam ter vergonha“, atirou José Ferreira.
O impacto no quotidiano e no comércio local é outra das grandes preocupações. O trânsito de Famalicão, habitualmente classificado como “difícil” ou “caótico” em dias normais, ameaça piorar drasticamente, sobretudo devido à proximidade com o dia da feira semanal e com os acessos escolares. Moradores como Marli Barbosa e Tiago Santos explicaram que foram apanhados de surpresa e agora são forçados a dar “voltas e voltas” para conseguir aceder às suas habitações e estacionar. Há ainda quem alerte para os riscos de segurança, como Pedro Carvalho, que lembrou que “se houver uma emergência, [o veículo] provavelmente não vai conseguir passar por aqui“.
Entre a inovação e o conformismo
Apesar do descontentamento geral, a medida encontra alguns defensores que relativizam o impacto em nome da tradição e da novidade. Filomena Carvalho e Catarina Barroso consideram que as Festas Antoninas justificam alguma tolerância. “É um bocadinho complicado a nível de trânsito, mas ao mesmo tempo também há que inovar os entretenimentos. As Antoninas são mesmo assim“, apontaram, sublinhando que se trata de uma situação temporária.
Outros cidadãos demonstram conformismo. Diana Rebelo, embora admita que deu “30 mil voltas” para chegar a casa e que o trânsito está “infernal“, resigna-se: “É o que é. Também é pouco tempo, é só uma semaninha“. Opinião partilhada pelo taxista Carlos Almeida, que, apesar de reconhecer as óbvias dificuldades para quem trabalha ao volante, desabafou: “Já está lá tudo montado, não vão desmontar“.
Até de concelhos vizinhos chegam críticas. Amadeu Barbosa, natural de Santo Tirso, deslocou-se a Famalicão para observar os preparativos das festas e foi claro: “Tudo o que venha interromper o trânsito e incomodar as pessoas, não. Temos que evitar isso ao máximo“.
Se por um lado uns aprovam a inovação e outros simplesmente “encolhem os ombros” por sentirem que nada podem fazer, a verdade é que a polémica está instalada. Na ausência de alternativas fáceis de estacionamento e circulação, a colocação de divertimentos em plena via pública foi reprovada pela larga maioria dos cidadãos que falaram ao microfone da Famalicão Canal TV.
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