Celebrações contaram com a tradicional procissão ao Monte do Facho e a presença de autoridades locais. Na homilia, o pároco Jorge Ferreira evocou o exemplo da santa e pediu orações pela Venezuela.
A freguesia de Calendário, em Vila Nova de Famalicão, viveu um fim de semana de intensa devoção e participação comunitária nos dias 27 e 28, com a realização das tradicionais festividades em honra de Santa Catarina. O ponto alto do programa religioso decorreu na manhã de domingo, com uma procissão e peregrinação que ligou a Igreja Paroquial à Capela localizada no Monte do Facho, num momento marcado pela forte adesão da população e pela presença de representantes do poder local.
As cerimónias litúrgicas foram presididas pelo pároco Jorge Ferreira e contaram com uma moldura humana significativa. Entre os fiéis, destacou-se a presença de Mário Passos, presidente da Câmara Municipal de Famalicão, que se fez acompanhar pelo presidente da Junta da União de Freguesias de Famalicão e Calendário, Ricardo Mendes, sublinhando a importância institucional e cultural do evento para a região.
Na sua homilia, o padre Jorge Ferreira começou por recordar a preparação espiritual realizada pela comunidade ao longo da semana anterior através da meditação dos mistérios do Rosário. Embora a festa litúrgica de Santa Catarina se assinale originalmente a 25 de novembro, o sacerdote enfatizou que o verdadeiro sentido de celebrar um santo reside em adotar o seu testemunho “no concreto da nossa vida” e não apenas num dia ou numa semana específica.
O exemplo de Santa Catarina contra o “cristianismo light”
Inspirando-se nas leituras litúrgicas, o pároco confrontou os crentes com a exigência e a radicalidade de seguir Jesus, rejeitando a procura por um “cristianismo à nossa medida ou light“. O sacerdote recorreu à biografia de Santa Catarina para demonstrar como a ciência e a filosofia, tantas vezes apontadas na atualidade como caminhos para o afastamento da fé, foram o motor que despertou na jovem santa a curiosidade e a inquietação para procurar o “Deus único“.
“Quando ela decidiu abraçar o cristianismo e pediu para ser batizada, a sua vida transformou-se radicalmente. Passou a ser perseguida, maltratada e, para se manter fiel à fé, entregou o seu próprio sangue“, lembrou o pároco, aludindo ao martírio da santa.
O padre Jorge Ferreira clarificou que a radicalidade evangélica não exige o abandono da família ou o isolamento social, mas sim colocar Cristo no centro da vida para encontrar “tempo para tudo“, seguindo um modelo de acolhimento e hospitalidade.
Liberdade religiosa e apelo internacional
O sacerdote aproveitou ainda o momento para traçar um paralelismo com a atualidade, lembrando que muitos cristãos continuam a sofrer o martírio pelo mundo, enquanto em Portugal se vive um ambiente de plena liberdade religiosa, a qual deve ser aproveitada para testemunhar a fé publicamente e sem medo.
A terminar a celebração, o pároco partilhou um apelo de solidariedade internacional, invocando uma mensagem do Papa direcionada à situação de crise na Venezuela. O padre Jorge Ferreira exortou os presentes a unirem-se em oração pelas vítimas das recentes tragédias no país sul-americano, tanto pelos que perderam a vida e os seus bens, como por aqueles que partiram em missões de ajuda humanitária.
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