Ser pai é uma tarefa carregada de espinhos, de satisfações e, também, de lágrimas. Algumas destas de sofrimento e outras de felicidade.
Há pais que têm de carregar cruzes por todo o tempo. Quando os casos são de saúde o caminho torna-se mais sinuoso, mais difícil e exige uma doacção total. Conheço alguns exemplos que me apaixonam. Sei quanto, nesses casos, o pai e mãe se entrega e se dá, de forma inteira. Mas há outras situações que se tornam um sacrifício atroz, porque os filhos se entregaram a vícios que fazem os pais mentir, dourar o problema e darem a cara por eles.
Estes últimos, apesar de serem pais, não se determinaram a corrigir, sabendo uma batalha estóica fazê-lo. Deixaram andar. Não normalizaram regras, que o mesmo quer dizer deveres. Os filhos não cresceram e nunca souberam ouvir um “não”. Tudo foi “sim”. Tudo foi benesses, facilidades e um mundo cor-de-rosa. Hoje, esses filhos, na casa dos trinta e tais ou quarentas, com os pais já idosos, continuam a exigir-lhes benfeitorias, a não fazer nada… a deixarem-se andar, a resmungar, a pedir tudo, a viver à custa dos progenitores. E amanhã?
Estes filhos, quais parasitas, são um fardo dos mais pesados que pode haver. Os pais, já na idade da reforma, deveriam estar a viver o que lhes resta, a usufruir do descanso e a relaxar de tanto que deram na família e na profissão. Merecerem afastamento da tormenta da vida que lhes encurtam a vida, a idade…
Tenho alguns pais, esses que padecem no dia-a-dia, que se esmagam e que se desesperam…mas que já não conseguem dar a a volta, como sói dizer-se, ao texto. Uns têm a capacidade de se enganarem a eles próprios, quando me afirmam: “sou mãe…tem de ser”; ou “sou pai…tenho de o amparar”. Questiono-os: “um homem de corpo ou uma mulher feita continuam a azucrinar-te?”. Fico sem resposta. Apenas com silêncios que são significantes.
Estes meninos copos de leite, cumulados de mimos e educados com mordomias a mais, será que têm noção do que é a vida? É que conheço quem, para ser alguém hoje, depois de ter passado as chamadas “passas do algarve”, com todo o tipo de dificuldades – até para estudar na Universidade se obrigou a trabalhar em horários nocturnos exigentes – vingou e é, hoje, o regalo dos pais, ajudando-os. Gostava que esses pais “galinhas” pudessem viver, sem desalinhos e preocupações, a recta final do caminho. Os filhos, sem problemas de saúde ou outros, continuam, como lapas, a viver à custa de outrém…
Tive um professor que dizia e bem: “escola e ambiente familiar difícil, vida fácil; escola e ambiente familiar fácil, vida difícil e em ócio…”. Nada mais limpo de verdade.
António Barreiros
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