Joaquim Carneiro Gomes faleceu, hoje, no Hospital da Guarda, com 84 anos de idade. Ele ficou conhecido como o Repórter Renascença.
Conheci-o, por volta do início dos anos 80, quando ele entrou, proveniente do Brasil, donde estava na Globo Rádio e TV, para o programa dessa Rádio Católica, o “Despertar” de António Sala e Olga Cardoso (esta que já faleceu, também).
Sobre esse especialista em reportagens, com um jeito ímpar de falar com as pessoas e com uma forma de abordagem dos entrevistados muito peculiar, António Sala disse esta tarde à RR: “Joaquim Carneiro Gomes foi um fotógrafo do som”. Soberba qualificação e magnética expressão sobre um colega – permita-me que o diga – pela força que J. Carneiro Gomes sabia imprimir, com um descritivo decorativo em palavras, empático na elegância da comunicação e uma voz que nos captava.
J. Carneiro Gomes, de quem me tornei amigo, depois de, em 1982, ter sido escalado, em sintonia comigo, para a cobertura da Queima das Fitas de Coimbra desse ano, ensinou-me muitas técnicas de reportagem. Uma valeu-me não receber, aqui e ali, em serviço nos vários órgãos de comunicação social que servi – Correio de Coimbra, Diário de Coimbra, O Primeiro de Janeiro, Semanário As Beiras, RDP/Centro-Antena1 e TVI – um redondo “não”. Tinha a ver com o microfone. J. Carneiro Gomes explicou-me: “levas o microfone na mão direita, já que és destro, encostado ao corpo, na zona da bacia…a pessoa não se amedronta com a presença dele e fala, abertamente”. Serviu para a vida.
Desde a ida dele a Coimbra, por altura dessa emblemática realização da Academia de Coimbra, de que ficou fã – “já me tinham falado, mas nunca pensei que tivesse este esplendor, esta dinâmica, esta grandiosidade de festividade e reunisse tanta gente, uma juventude cheia de sonhos” – acabámos por manter um relacionamento. Sempre que me deslocava a Lisboa, à RR, ao Chiado, na Rua Ivans, praticamente ao lado do Governo Civil, conversávamos. Era um
gosto ouvi-lo. Voz forte e envolvente. Homem bom e compreensivo. Colega de uma moratória afável e prestável. Repórter que sabia “pintar”, com as cores da sua voz de um timbre “rouco”, tudo quanto os seus olhos observavam. Repórter de presença admirável, até porque tinha uma estatura alta, mostrava um engenho e uma arte muito dele que continha a magia de descrever, melhor, de contar, estórias e/ou momentos que ele captava de forma sui generis.
Nesta hora da sua partida, do nosso espaço terreno de vida, quero dizer-lhe que o continuarei a recordar com gratidão e amizade.
Que a tua alma descanse na paz da eternidade. Grande abraço, querido colega e amigo.
António Barreiros
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