Certame atraiu milhares de pessoas à freguesia com desfile de marchas populares, mostra comunitária e um emotivo regresso às tradições locais.
A freguesia de Landim voltou a vestir-se de festa para celebrar o São João, assinalando o regresso de uma tradição que se encontrava interrompida há mais de um quarto de século. Entre os dias 26 e 28 de junho, o Parque Dr. Fonseca Monteiro e a zona envolvente ao Mosteiro encheram-se de milhares de landinenses e forasteiros para um fim de semana repleto de animação cultural, associativismo, momentos religiosos e o muito aguardado desfile das marchas populares.
As festividades arrancaram na noite de sexta-feira, dia 26, com a atuação cultural do Grupo Zimbre Brass, seguida pela animação de um DJ que colocou os presentes a dançar. No sábado, sob um sol abrasador, as atenções viraram-se para a Mostra Comunitária, que serviu de montra para o dinamismo das associações locais. Ao final da tarde, o Vereador do Associativismo, Pedro Oliveira, acompanhado pelo executivo landinense, visitou os expositores no certame.
O ponto alto do fim de semana aconteceu na noite de sábado com o Desfile das Marchas de São João de Landim. Este ano, o desafio lançado à comunidade resultou na participação de duas marchas: a “Marcha do Sol”, representada pela Urbanização do Sol, e a marcha do lugar do Pinheiro Torto, que desfilou sob o tema “Sardinha Prateada”.
A noite continuou em tom de grande festa com o concerto de Tiago Maroto, que atraiu uma multidão estimada em mais de um milhar de pessoas. A programação de sábado encerrou com uma sessão de fogo de artifício e a transmissão do jogo de futebol da Seleção Nacional frente à Colômbia.
O domingo foi dedicado aos atos religiosos, com a Oração Mariana e a majestosa Procissão em Honra de São João, que percorreu as ruas da freguesia junto ao Mosteiro e às Três Capelas. O encerramento oficial das festas ficou a cargo do Rancho Folclórico São Pedro de Bairro.
Autarquia ambiciona expandir o evento no próximo ano
O presidente da Junta de Freguesia de Landim, Joel Oliveira, não escondeu o orgulho pelo sucesso do evento e destacou o espírito de união da comunidade.
“Desafiei a comissão muito no início deste mandato. Eles construíram a equipa e conseguiram, com muito trabalho, que Landim estivesse cheio de pessoas. As saudades eram muitas“, afirmou o autarca.
Joel Oliveira reconheceu que a organização enfrentou desafios logísticos complexos, nomeadamente o licenciamento e a segurança rodoviária, dado que uma estrada nacional atravessa o centro da freguesia. O autarca local deixou um agradecimento público à GNR, aos moradores — pela compreensão face ao ruído e restrições de trânsito — e às associações que colaboraram ativamente na dinamização das tasquinhas e na criação da tradicional cascata de São João. Para o futuro, o presidente ambiciona maior participação: “O objetivo para o próximo ano é alavancar este arranque e conseguir termos uma dúzia de marchas de todos os lugares da nossa freguesia.”
Memorial gravado com emoção e nostalgia
A responsabilidade de erguer a festa do zero após 25 anos coube a uma comissão organizada por Andreia Machado. A responsável explicou que a iniciativa nasceu com o propósito de “voltar às tradições” numa terra que considerava estar “parada e sem grande movimento“.
Um dos momentos mais marcantes da decoração festiva foi a criação de um memorial junto a uma oliveira nas imediações do mosteiro, dedicado a todos os que no passado integraram as marchas de Landim e que já faleceram.
“Pensámos em criar um memorial para que as pessoas, ao chegar cá, se recordassem dos tempos de mais novos. Houve pessoas que ficaram muito emocionadas, porque já não têm cá alguns dos seus familiares“, partilhou Andreia Machado, visivelmente satisfeita com a receção do público. Questionada sobre a continuidade na liderança da organização para o próximo ano, a responsável preferiu deixar a decisão em aberto, afirmando ser “um caso a pensar“.
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