O certame concelhio combinou o orgulho nas raízes minhotas com a atração do público jovem. O “Cortejo da Tradição” serviu de montra para promover os grandes eventos gastronómicos e culturais das freguesias ao longo do ano.
As Festas de Santo António em Vila Verde reafirmaram a identidade e a ruralidade do concelho, encerrando seis dias de celebrações com um balanço “muito positivo” e grandes enchentes. A afirmação é de Júlia Rodrigues Fernandes, Presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, que destacou o sucesso de um programa diversificado, desenhado para unir as origens locais às preferências das camadas mais jovens. O evento contou com uma forte adesão do público e o envolvimento ativo do tecido associativo local, beneficiando ainda de condições climatéricas favoráveis que ajudaram a superar todas as expectativas.
A preservação do legado cultural foi um dos eixos centrais do cartaz, manifestada através de festivais folclóricos, rusgas e do habitual “Cortejo da Tradição“. De acordo com a autarca, o município tem feito um esforço deliberado para incluir a juventude nessas dinâmicas, integrando no programa artistas de renome nacional e internacional escolhidos com o contributo dos mais novos.
“Vemos os nossos jovens completamente embrenhados na tradição: nas rusgas tínhamos muitos jovens, no folclore temos muitos jovens, nas marchas temos imensos“, sublinhou Júlia Rodrigues Fernandes, enfatizando a missão de transmitir a identidade vilaverdense às gerações futuras.
A hospitalidade e o espírito caloroso da população local, acompanhados pelo som das concertinas e da Tocata Minhota, foram também apontados como fatores de atração turística.
Cortejo Promove Sabores do Mundo Rural
O “Cortejo da Tradição” funcionou como uma autêntica montra viva dos costumes e vivências do passado, com várias freguesias a desfilarem em carros alegóricos para promover as suas iniciativas anuais.
O Caldo do Pote (Sabariz): A freguesia de Sabariz destacou o seu emblemático evento gastronómico, que decorre no terceiro sábado de setembro. Mário Fernandes, Presidente da Junta de Freguesia, explicou que a iniciativa serve mais de 25 variedades de caldos, “todos feitos em pote de ferro, à moda antiga, em cima de lenha“. O autarca revelou ainda que, no segundo Domingo de Novembro, o evento viaja até Düsseldorf, na Alemanha, para aproximar os emigrantes portugueses às suas origens.
Papas de Sarrabulho (Couceiro): Outra das iguarias minhotas em destaque no cortejo foram as Papas de Sarrabulho, representadas pela freguesia de Couceiro para promover o seu festival anual, que se realiza no mês de novembro.
A Tradição Ancestral dos Maios
A riqueza cultural do concelho fez-se também representar pela tradição dos Maios — as coroas de flores que engalanam as portas na noite de 30 de abril para assinalar a entrada no mês de maio.
Agostinha, representante da Associação Cultural e Desportiva “Os Regadinhas de Freiriz“, explicou a densa simbologia por detrás deste costume, que remonta ao tempo dos romanos e atravessou a Idade Média, associando-se à fertilidade, à celebração da primavera e a rituais de compromisso entre jovens.
A associação organiza há mais de duas décadas o Concurso de Maios, que se encontra na sua 19.ª edição e mobiliza anualmente uma média de 200 exemplares a concurso. O projeto envolve desde a comunidade da Ginástica Sénior até aos atletas mais jovens da associação, com idades compreendidas entre os 4 e os 19 anos, garantindo a continuidade daquela prática ancestral na freguesia de Freiriz.
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