A dimensão humana, sentimental e – deixem-me que o refira – celestial-espiritual de uma qualquer mãe, exceptuando as que não assumem esse seu papel, é reconhecida por cada filho e, também, por todos.
Quero trazer a este texto, para vincar essa missão, a maternal, um trecho de um texto escrito por António Lobo Antunes em que dele resplandece a força dessa palavra e o seu significado pujante e deslumbrante.
Deixem-me situar-vos nesse escrito, dondo sobressai, na descrição, em jeito de um berro, a força expressiva do que ele quer dizer: “Quero a minha mãe”. Sobre esse grito, A. Lobo Antunes revela: “nunca vi um homem chamar pelo pai”. É forte a frase, complementada por esta…O autor de várias obras deixa nesta sua alusão à áurea da mãe, o que ela representa para cada filho.
A nossa mãe é, para além de um abrigo e de uma alcofa, o nosso Mundo, a residência e o refúgio resguardado. Lobo Antunes gritou pela mãe, percebendo e enaltecendo o papel da sua.
Apetece-me aqui, como todos vós o devereis fazer, evocar a minha, apesar de já ter partido faz uns 19 anos, mas continuando presente. Busco a sua imagem e revejo-a. Sinto a sua pele sedosa, aquela que no meu rosto me afagava e me crivava de beijos…Quero ressentir os seus aconchegos já homem feito, porque a minha mãe São sabia-os dar, entregava-se, mostrava-se e espalhava o perfume do seu amor. Tanto que me queria situar anos atrás para revisitar um ou outro tempo e episódio de cumplicidades, de amizade, de provocações dela para me dar andamento humano, pessoal e profissional e, também, de conjugação de sentimentos e de abertura de corações, o meu e o dela… Gostava de revogar os seus conselhos, sempre numa anotação de voz doce e terna, apontando caminhos.
Esta vontade de querermos revê-las e de as chamarmos, a cada uma das nossas mães, projecta a fogueira de amor com que elas nos benzeram e, ainda, do verdadeiro apego humano e espiritual que nos selou as vidas.
A minha já está longe, numa outra dimensão, a da Eternidade. Pretendo que ela ouça o meu grito – sempre e em todos os dias sem me tornar, por isso, menos homem, antes mais ser humano e António: QUERO A MINHA MÃE… Fica um louvor a todas as mães.
António Barreiros
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