Os grupos de militantes dos arciprestados de Braga, Barcelos, Guimarães e Vila Nova de Famalicão reuniram-se, entre os dias 13 e 18, para refletir sobre o nexo entre migrações, trabalho e dignidade. O encontro de encerramento, realizado no passado dia 18, resultou num apelo coletivo à construção de uma sociedade que coloque a pessoa humana no centro, rejeitando a visão do trabalhador migrante como mera “mão de obra” descartável.
O evento contou com o apoio técnico do Diácono Joaquim Ferreira e da jurista Lígia Ferreira, dos serviços de migração da Arquidiocese de Braga, além da participação de Fátima Pinto, coordenadora nacional da LOC/MTC (Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos), refere uma nota enviada à nossa redação.
As conclusões do encontro destacam o contraste entre a necessidade económica que Portugal tem do trabalho imigrante e o crescimento de discursos de ódio e desconfiança. Os militantes reforçaram que a decisão de migrar nasce, muitas vezes, de contextos de guerra e pobreza, exigindo uma resposta baseada na coragem e na hospitalidade, e não na indiferença.
“Não podemos ficar indiferentes quando faltam condições dignas de acolhimento — seja na habitação, no trabalho ou na integração“, refere o documento final, sublinhando que o Evangelho desafia os cristãos a ver no estrangeiro o rosto de Cristo.
A precariedade e a exploração laboral foram temas centrais na análise da realidade social atual. Para os grupos participantes, uma sociedade verdadeiramente justa não pode ser guiada apenas pelo lucro ou pelo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). É necessário um compromisso com o bem comum que garanta salários dignos e combata realidades graves, como o tráfico de pessoas, que muitas vezes ocorrem de forma silenciosa e próxima.
Inspirados no magistério do Papa Francisco, os militantes propuseram quatro pilares para a ação concreta: acolher, proteger, promover e integrar. A reflexão terminou com um apelo à inquietação social, incentivando os cidadãos a denunciar injustiças e a praticar a fraternidade no quotidiano.
O compromisso agora assumido pelos arciprestados da região é o de transformar estas reflexões em gestos de proximidade, garantindo que a dignidade não dependa da origem ou da condição social de quem chega a Portugal, conclui.
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