Passados mais de 50 anos sobre a independência de Moçambique, aquela que abriu portas a novos horizontes e poderia ter sido a estrada para um caminho de prosperidade, o País está mergulhado numa miséria sem precedentes e confrange-se com uma pobreza sem limites. É o 4.o País mais pobre do Mundo, apesar de possuir riquezas de quase toada a espécie. Tem sido neocolonizado por Países de raiz comunista, como a Rússia e a China.
Moçambique – a maioria dos Países de África continua num registo tribalista, apresentando panoramas divisionistas que apartam e segregação as populações – continua a trilhar as veredas de um clima tribal.
O tribalismo, ainda vigente, em Moçambique e em África, apesar de nos situarmos no sec. XXI, é factor de divisões e de querelas, as quais se reflectem na vida da própria Frelimo, o partido do Governo, bem como se evidencia na vida colectiva do País.
A África do Sul, mesmo ali ao lado, passa por momentos de explosão social, com a maioria da população a manifestar-se, violentamente – brutaliza e espanca os estrangeiros que trabalham no País – contra a presença de comunidades de grande presença, num volume de cerca de 2 milhões de migrantes, como a moçambicana, nigeriana e, também, as do Zimbabwe, Lesotho, Malawi, República Democrática do Congo e outras.
Os sul-africanos lutam pelos seus postos de trabalho, porque o desemprego é assustador, situando-se em cerca de 31,5%, o que está a criar problemas da mais variada ordem, incluindo o aumento da criminalidade.
A situação em Moçambique, com uma pobreza extrema, sem se vislumbrar que o País descole desse panorama de fome e de péssimas condições humanas, tem algumas das suas razões no tribalismo que enferma a sociedade.
Não posso deixar de recordar, até para melhor se analisar a problemática do tribalismo, o que o sociólogo e mentor da Frelimo, Eduardo Mondlane, dizia e argumentava sobre a matéria.
O seu pensamento sobre essa verdadeira chaga comunitário-moçambicana era de combate rigoroso e frontal. E Mondlane considerava o tribalismo como “uma das maiores ameaças à unidade nacional”
E da maior relevância, devendo merecer atitudes da parte governativa de Moçambique, a visão dessa grada figura que se baseava – devo relevar – na criação de um “novo homem” moçambicano, cuja identidade nacional – disse-o várias vezes – se sobrepusesse às lealdades tribais, regionais ou raciais. Nada mais a acrescentar, está tudo dito…
António Barreiros
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