Virgílio Antunes, Bispo de Coimbra, que foi nomeado, ainda recentemente, para Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, imprimiu um novo fôlego a esse órgão colegial da Igreja Católica. É o que parece por ter impresso nova dinâmica.
Tem intervindo, sem lhe escapar um tema de fundo, seja dos fracturantes, como é o caso da nova Lei Laboral (pronunciou-se a 27 p.p. – sobre ela); seja sobre o burnout do clero – cansaço e stress emocional, humano e psíquico – que veio dizer mostrar sinais preocupantes de exaustão.
A Igreja, nos últimos tempos, andava abafada, silenciosa e afastada da vida dos cidadãos e da Nação. Apenas este Padre ou aquele Bispo mais dado a trazer, nas suas homílias, casos que devem merecer preocupação do Governo ou das Entidades públicas com responsabilidades sociais e das nossas comunidades, sobressaia.
Ora, a Igreja, com a sua matriz humanista, tem de ser não só um foco, um arauto e um amplificador dos principais temas nacionais que possam colidir com as nossas vidas mas, também, deve mover a sua palavra – esclarecedora, libertadora e com contornos espirituais – na denúncia de situações que não promovam a dignidade da pessoa e demonstrem o mau uso de dinheiros públicos ou, ainda, as falhas de serviços e departamentos que se desleixem na sua vertente de missão.
Quero aplaudir esta frescura e a nova dinâmica que D. Virgílio Antunes está, nestes primeiros tempos da sua nova função, a impregnar na sua acção. A Igreja, sob melhor opinião, porque parte integrante da vida portuguesa, com uma grande parte de cidadãos que se manifestam cristãos, tem de se assumir como um púlpito donde se lancem temas de actualidade, de fraccionamento, de inquietação, de provocação, de lamento, de contradição dos eixos da Doutrina e da Fé e, também, os que possam trazer divisões e problemas a cada um de nós e ao próprio País. A Igreja tem de continuar a ser a força da Palavra de Cristo, transmitindo Esperança, deixando Luz para se descobrirem caminhos de Vida, além de se constituir como uma Instituição de Verdade sem ter medo (estamos cheios de medos que nos tolhem e nos calam…) de intervir e de comunicar. D. Virgílio está a abanar a CEP e a dar sinais que veio para não se calar quando fôr necessário.
António Barreiros
PUBLICIDADE
























Comentários sobre o post