Presidente da SAD, Manuel Ribeiro, recusa fixar metas classificativas e prioriza a valorização do jogo. Novo técnico destaca regresso às origens e proximidade familiar como fatores decisivos.
O FC Famalicão apresentou oficialmente, esta segunda-feira, dia 13, Carlos Carvalhal como o novo timoneiro da equipa principal. Numa conferência de imprensa liderada pelo presidente da SAD famalicense, Manuel Ribeiro, o clube minhoto selou a transição rápida no comando técnico após a saída repentina de Hugo Oliveira para os franceses do Estrasburgo, através do acionamento da cláusula de rescisão.
A escolha de Carvalhal — técnico de créditos firmados e com vasta experiência internacional — representa o “renovar da ambição” do Famalicão, mas sempre sob a égide de uma filosofia muito clara: potenciar o jogo e o jogador, desvalorizando a obsessão por metas numéricas na tabela classificativa.
Durante a sessão de apresentação, Manuel Ribeiro fez questão de sublinhar a maturidade e a robustez estrutural do clube, que não tremeu perante a perda inesperada da anterior equipa técnica. O líder da SAD agradeceu a lealdade e o profissionalismo de Hugo Oliveira, mas garantiu que o Famalicão de 2026 está “preparado em toda a linha” para saídas e entradas, tanto no banco como no plantel.
“O Famalicão hoje é um clube assente nesta matriz do jogo. Nunca me ouvirão a pedir lugares ao Carlos Carvalhal“, afirmou Manuel Ribeiro. “Ficar em quarto, quinto ou sexto, sem qualidade de jogo e sem evoluir jogadores, não conta connosco. O quinto lugar da época passada foi importante pelo que lá esteve dentro — a equipa mais jovem, as 17 balizas invioladas, o jogo positivo — e não apenas pelo número em si.”
O presidente abordou também com total serenidade o forte assédio do mercado aos ativos do clube, nomeadamente a jovens promessas como Gustavo Sá ou Matias Damaninho:
“Não nos tira um minuto de sono. Estamos confortáveis do ponto de vista desportivo e financeiro. O mercado ditará o que tiver de ditar, e a estrutura está pronta para reagir.”
O coração falou mais alto: a ligação de Carvalhal a Famalicão
Para Carlos Carvalhal, assumir o comando do Famalicão é muito mais do que um passo na carreira profissional; é uma decisão profundamente pessoal e familiar. Após uma paragem de um ano por opção própria para “renovar energias“, o experiente técnico revelou ter rejeitado propostas financeiramente irrecusáveis do Médio Oriente, México e Brasil para poder regressar a casa.
A ligação emocional à região foi o argumento mais forte. O pai de Carvalhal, que lida com um quadro inicial de demência, é natural de Brufe, freguesia do concelho famalicense.
“Fiquei extremamente satisfeito quando tive a oportunidade de dizer ao meu pai: ‘vou treinar o clube da tua terra’. Ele ficou todo contente. Quero muito dar-lhe uma alegria grande no final da época“, confessou, visivelmente emocionado.
A juntar à situação do progenitor, o técnico explicou o desejo de acompanhar o crescimento dos netos após mais de uma década a treinar no estrangeiro. “Estive 10 ou 11 anos fora e uma parte significativa da educação dos meus filhos ficou a cargo da minha mulher. Não quero passar pelo mesmo com os meus netos. A proximidade familiar, para mim, é hoje muito importante.“
Instado a comentar a herança deixada por Hugo Oliveira, Carvalhal desvalorizou a pressão e elogiou o trabalho do seu antecessor, garantindo que não haverá uma rutura total com o passado recente, mas sim uma evolução natural do modelo de jogo.
O novo técnico pretende aproveitar as rotinas e a excelente organização deixadas pela equipa técnica anterior, introduzindo progressivamente a sua própria matriz tática.
Com um plantel jovem e talentoso, auxiliado pela forte dinâmica dos Sub-23, Carvalhal quer imprimir uma identidade corajosa.
O grande objetivo definido pelo treinador passa por construir uma equipa altamente competitiva: “Quero que a equipa jogue olhos nos olhos com todos os adversários, em qualquer campo, e que entre sempre convicta de que pode ganhar.“
O FC Famalicão inicia assim um novo capítulo desportivo, blindado pela estabilidade financeira da SAD e guiado pela experiência de Carlos Carvalhal, que promete aliar a competitividade desportiva ao forte cunho sentimental que o liga à cidade.
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