Mário Passos defende legitimidade da maioria absoluta e rejeita “lógica de aparelho“; Chega fala em “bolha interna” e critica “presente grego” do PS.
A Comissão Política Concelhia do PSD de Vila Nova de Famalicão retirou a confiança política ao Presidente da Câmara Municipal, Mário Passos. O autarca já reagiu publicamente, assegurando a continuidade das suas funções e o alinhamento com os valores sociais-democratas, enquanto a oposição antevê um mandato complexo. O Chega, pela voz de João Pedro Castro, recusa intrometer-se nas “tricas internas” do partido, mas critica a postura da concelhia e do Partido Socialista (PS), sublinhando que a legitimidade democrática do executivo se mantém intacta.
Em comunicado oficial, o líder do município famalicense reagiu firmemente à decisão da estrutura local do seu partido, demarcando-se das movimentações internas e focando o seu discurso no serviço à população.
“Sou do PSD e continuarei a ser fiel aos seus princípios fundadores: um partido democrático, plural, humanista e ao serviço das pessoas“, garantiu Mário Passos.
O autarca foi mais longe na crítica à direção da concelhia, atestando que os valores que defende “não se confundem com interesses pessoais ou faccionais, nem podem ser apropriados por quem procura colocar a lógica do aparelho acima do interesse público“.
Chega aponta o dedo à Concelhia do PSD e ao PS
A crise política já ecoa na Assembleia Municipal. João Pedro Castro, líder da bancada do Chega, afirmou que o partido se remete, para já, a uma “posição de expectativa“, mas não poupou críticas aos restantes actores políticos, afirmando que “quem não fica bem na fotografia é a comissão política do PSD e o próprio Partido Socialista“.
Para o representante do Chega, o conflito deveria ter ficado “numa bolha interna” e nunca ter vindo a público, até porque “nem um ano passou desde a eleição de Mário Passos” com maioria absoluta, em outubro de 2025.
Apesar de reconhecer que o edil “geriu mal alguns dossiês” e que este será “um dos mandatos mais complexos“, João Pedro Castro desvalorizou a possibilidade de Passos perder o poder: “A sua legitimidade mantém-se completamente intacta.”
O “presente grego” dos socialistas
O líder da bancada do CHEGA comentou ainda uma recente proposta do PS que terá adensado a instabilidade política no concelho, classificando-a como “um presente grego” e uma “manhosice um pouco bacoca“.
Segundo o autarca do Chega, os socialistas — que “estão há 25 anos à espera” de governação — procuram apenas capitalizar com a “convulsão de um partido que está no poder“, embora anteveja que o PS também não retirará proventos desta situação.
Questionado sobre os rumores de que o clã político ligado ao ex-autarca Armindo Costa e à deputada Sofia Fernandes — que abandonou a vereação após divergências com Mário Passos — poderá estar a mover influências nos bastidores para enfraquecer o Executivo, João Pedro Castro mostrou-se cético, catalogando o cenário como “tricas internas do PSD” que não interessam ao seu partido, desde que não afetem a atividade da autarquia.
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