O caso Odair Moniz inundou o palco mediático dos principais órgãos de comunicação social de Lisboa, além do das redes sociais.
Vamos aos factos ocorridos: “Pelas 5:40 da madrugada de 21 de Outubro de 2024, Odair Moniz saiu na sua viatura do Bairro Alto da Cova da Moura, na Amadora, após uma noite de festa. Colocou-se em fuga, após ver uma viatura policial na Avenida da República dessa cidade. Foi perseguido de carro por dois agentes da PSP, acabando por se despistar e ficar com o automóvel imobilizado, após embater noutras viaturas. Depois disso, passou a ser perseguido a pé pelas ruas do bairro. Segundo os agentes, foram disparados três ou quatro tiros, um ou dois para o ar e dois na direcção de Odair, tendo uma das balas atingido esse cidadão no peito”.
Fomos bombardeados, desde o dia da sua morte até ontem, data da leitura da sentença, por notícias tendenciosas e entrevistas direccionadas.
Odair era apresentado como o pai e o imigrante exemplar. Mas, segundo o que foi dito na altura desses factos, por alguma comunicação social que continua a pugnar a sua conduta por objectividade, seriedade e isenção, Odair, conhecido por Dá, cabo-verdiano, a residir em Portugal, fazia duas décadas, apresentava cadastro por tráfico de droga e por crimes violentos, como assaltos à mão armada. Já havia, segundo se apurou, cumprido pena de prisão.
Perante este quadro, não me contenho: num País que, sistematicamente, governantes, políticos, agentes do sistema de justiça e outras figuras públicas, continuam a afirmar sermos um Estado de Direito e Democrático, onde fica a primeira reserva de diagnóstico da Nação? É que um Estado de Direito é o que faz cumprir as leis. Ora, um qualquer cidadão tem de as saber respeitar, parando ao sinal das autoridades e percebendo que não pode andar a conduzir, depois de uma festa, sem ter condições para o fazer. Estaria bem? Despistou-se e, mesmo assim, fugiu. Que escondia? E qual o resultado da autópsia que não foi revelado? Mas não vivemos no tal Estado Democrático e de Direito, portanto, que deve franquear informações validadas por Entidades competentes para que, cada um, possa analisar e retirar conclusões?
O Tribunal julgou, perante factos, dados oficiais, testemunhos e juramentos. O polícia – deixem-me dizê-lo, perante o que li e ouvi – agiu em legítima defesa, num bairro (volto a relevar) problemático. Aliás, algumas testemunhas tiveram medo de falar…
Uma última nota: até a Rádio Renascença, na tarde em que a sentença ia ser lida – 2.a feira, dia 15 – andou a entrevistar (todos sem excepção) pessoas na rua e um advogado que defenderam Odair…crucificando o polícia. Que sociedade andamos a construir? Que fique claro: sou contra o poder discricionário de qualquer polícia, mas não posso permitir que alguém, com um instrumento de morte nas mãos, neste caso um carro, que poderia ter passado a ferro pessoas indefesas, continue a conduzir sem condições para o fazer.. Sou contra uma sociedade que faz dos “maus” bons e, dos “bons” maus, que anda a subverter a condição de vida que me habituei a respeitar, por educação e cidadania. Nem tanto à terra nem tanto ao mar, diz o povo e bem. Se não houver autoridade forte e cumprimento dos deveres não tardará que a selva se instale.
António Barreiros
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