O som das réplicas de airsoft deu lugar a um gesto de profunda solidariedade este domingo, dia 19. As ruínas da antiga Fábrica Reguladora foram o cenário de um evento que reuniu cerca de 90 praticantes da modalidade, vindos de vários pontos do Norte do país, com um objetivo comum: apoiar a família de Maria do Céu, a jovem de 29 anos que vive com 99% de incapacidade após uma cirurgia que correu mal há mais de uma década.
A iniciativa, organizada por Rui Silva com o apoio da equipa Black Army e do Grupo de Airsoft de Famalicão (GAF), mobilizou jogadores de Braga, Porto, Guimarães e Viana do Castelo. O evento conseguiu arrecadar um total de 1.175 euros, entregues diretamente aos pais de Maria do Céu, Manuel e Maria Brito. Aquele valor resulta das inscrições dos participantes e de uma forte mobilização online através do portal www.jogaairsoft.pt, que recebeu donativos de todo o país e ilhas.
Para os pais, o apoio da comunidade é um “balão de oxigénio” perante uma realidade desesperante. Maria do Céu tinha 17 anos e estava prestes a entrar na faculdade quando foi submetida a uma cirurgia simples a um sopro cardíaco no Hospital de São João, no Porto. O que deveria ser um procedimento de rotina resultou em falta de oxigenação cerebral e num estado de dependência total. “Ela entrou a falar e a andar e saiu de lá sem falar, sem comer, sem nada“, recorda o pai, Manuel, visivelmente emocionado.
A família relata um quotidiano de desgaste extremo, com cuidados de 24 horas por dia e gastos que já ultrapassaram os 100 mil euros em medicação e suplementos. A indignação aumenta perante a demora do sistema judicial: o processo decorre há 12 anos sem uma decisão final. “Não tenho confiança na nossa justiça“, desabafa Maria Brito, lamentando a falta de apoio do Estado e recordando episódios de insensibilidade médica onde lhe foi dito que a filha “dava prejuízo“.
Rui Silva, o organizador, decidiu avançar com o evento após ver um panfleto num posto de combustível. “Fiquei comovido com a história e decidi ajudar“, explicou. João Ferreira e Sérgio Saúl, também da organização, sublinharam que o Airsoft é mais do que um jogo de domingo: “Queremos mostrar que este desporto serve para ajudar boas causas. Infelizmente, a justiça vira as costas a estas situações e nós estamos cá para apoiar“.
O evento contou ainda com a presença de Agostinha Dias, do Motoclube Espírito Livre, que tem liderado outras campanhas em prol da jovem. A união entre motards e jogadores de airsoft reforça a “onda de solidariedade” que tem permitido à família manter a qualidade de vida de Maria do Céu, enquanto aguardam que o tribunal dite uma sentença final sobre um caso que mudou as suas vidas para sempre.
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