Portugal parece viver num ciclo vicioso de dependência e falta de visão estratégica. Semana após semana, assistimos ao mesmo ritual: a atualização dos preços dos combustíveis. Se para o cidadão comum cada cêntimo a mais no litro da gasolina representa menos um bem essencial no carrinho de compras, para o tecido empresarial — o verdadeiro motor da economia — o impacto é devastador e coloca em causa a própria sobrevivência.
Recentemente, um empresário de Viseu resumiu, com a clareza de quem sente o terreno, o drama da nossa logística: a ferrovia seria a solução, se existisse e se fosse funcional. É inadmissível que, em pleno 2026, a carga e descarga de mercadorias em plataformas ferroviárias ainda pareça uma miragem tecnológica em grande parte do interior.
Dependemos quase exclusivamente do transporte rodoviário, ficando reféns da volatilidade do petróleo que não produzimos. Numa situação de instabilidade geopolítica ou guerra, Portugal não apenas vacila; Portugal “treme”. A nossa soberania energética é um castelo de cartas que a primeira brisa económica ameaça derrubar.
Fala-se apaixonadamente da Linha de Alta Velocidade (TGV), mas esquece-se quem trabalha todos os dias para criar riqueza. Onde estão as respostas para os empresários que precisam de escoar produtos a custos competitivos? Onde está o investimento no transporte ferroviário suburbano e regional que retiraria milhares de carros das estradas, acabando com as filas intermináveis que retiram qualidade de vida aos trabalhadores e produtividade ao país?
O contraste é gritante:
De um lado: O anúncio de grandes obras de prestígio.
Do outro: A realidade de estradas congestionadas e custos de transporte sufocantes.
Fica a pergunta que não quer calar: terá o Governo estudado, de forma séria e profunda, um plano para mitigar o desequilíbrio económico provocado por esta instabilidade energética? Ou continuaremos a gerir o país com base no “remendo” e na reação de última hora?
Não podemos continuar a ser o país que não sabe gerir os seus recursos nem planear o futuro. A responsabilidade política não se mede em ciclos eleitorais, mas na capacidade de prever crises e criar infraestruturas que protejam a economia nacional.
Enquanto os nossos governantes não olharem para o futuro com a seriedade que o momento exige, o destino do português médio está traçado: continuaremos a meter a mão ao bolso e, com sorte, lá encontraremos a moeda mais pequena em circulação — se é que ainda sobrar alguma.
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