Uma fatia alargada de uma certa malta nova apresenta-se de pelo na venta, com ar arrogante, o sabe tudo e mais alguma coisa e, ainda por cima, não tem humildade nem para escutar nem para aprender.
Um destes dias reuni com dois amigos, por sinal médicos. A conversa foi interessante e os dois, em sintonia e sem desvios, afirmaram-me que essa malta nova argumenta, quando questionada, mas fá-lo sem bases, sem conhecimentos, sem experiência da vida e sem apresentar uma alternativa credível.
Outra desorientação que essa mesma malta nova manifesta, segundo esses dois médicos, é uma queda para a falha humana, com divórcio de relações de cortesia e de urbanidade, perante a palavra dos mais velhos para corrigir ou para ensinar…
Acresce, conforme me adiantaram também, que não exibem o respeito pelo doente, porquanto, e chegada a hora de sair, abalam, virando as costas aos que jazem enfermos na cama. Não são todos, mas são muitos.
Não me espanta. Na maioria das nossas famílias, neste nosso tempo, os pais não falam de Cidadania, não incutem nos filhos o primado do respeito e nem sequer conseguem imputar-lhes responsabilidades…deixam andar. Dá trabalho ensinar e educar.
Outro dia, numa vídeo-chamada, com um catraio, acabei por perceber que ele é que pretendia impôr o tema que eu me voluntariei a apresentar. Tagarelou sem fim (com ideias baralhadas, entre a cultura portuguesa e a brasileira) e despejou conceitos como quem deita água numa horta já alagada… Ele tentou encharcar-me com palavras e mais palavras, desajustadas, fora do âmbito do que deveria ser o diálogo que me propuseram. Um garotito, travestido de adulto…
É este tipo de gente que começa a infestar a nossa sociedade. Os poderosos agradecem a sua falta de cultura e de conhecimentos para os melhor manobrarem. Uns, dizem-se “influencers”(?), uma cambada de incultos e sem instrução alguma que nos querem meter, pelos olhos dentro, o seu paleio de cêntimos; outros, tentam dissertar muito para deixar uma ideia de sabichões; outros ainda, fazem-se passar por vendedores da banha da cobra…e, mais outros, baralham e tornam a dar para esconderem a sua ignorância (muita).
Lá diz o ditado: cresce e aparece. Uma sociedade com este tipo de comportamento está a desfalecer, a ficar estupidificada, a desmoronar-se e a reduzir o seu espectro de ensinamentos e de cultura. Os políticos agradecem. Mas se não mudarmos o cenário o trambolhão vai ser gigantesco…
António Barreiros
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