À primeira vista, visitar o Porto Santo parece um sonho de postal. O título de “Ilha Dourada” está por todo o lado — nas lojas, nos negócios e na famosa areia que faz bem à saúde. A Madeira e as suas ilhas continuam a encantar quem as visita, seja em férias ou a trabalho. Mas, por trás desta imagem bonita e das viagens de barco ou de avião a partir do Funchal, há uma realidade muito diferente para quem lá mora.
Basta ouvir a população local para perceber que nem tudo são rosas. Para quem vive no Porto Santo, ser uma ilha não é só uma questão de geografia: é um problema do dia a dia. Tratar de papéis nas Finanças ou na Segurança Social é uma dor de cabeça. No entanto, o problema mais grave está na saúde.
Hoje, a ilha tem apenas um Centro de Saúde. As obras do tão prometido hospital arrastam-se há anos, com paragens constantes, e as pessoas já não acreditam nas promessas de recomeço. Para piorar, quando alguém precisa de ir a uma consulta de especialidade na Madeira, os horários dos barcos e aviões não batem certo com as horas dos exames ou das consultas.
Por isso, a pergunta é simples: onde estão os políticos? O que estão a fazer o Governo Regional e o Governo em Lisboa? E qual é o papel das grandes figuras do Estado, como o Presidente da República, para exigir os meios básicos que faltam a estas pessoas?
A comparação torna-se ainda mais revoltante quando pensamos no turismo. O que acontece se um turista estrangeiro — ou um morador da ilha — tiver uma urgência médica grave? O sistema de saúde consegue dar uma resposta rápida e adequada a todos?
O Porto Santo orgulha-se do nome “Ilha Dourada”, mas o dia a dia mostra que, quando se trata de direitos básicos como a saúde e os transportes, esse ouro é uma ilusão. Os moradores do Porto Santo merecem mais do que promessas atrasadas e paisagens bonitas: merecem respeito e igualdade de condições.
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