A freguesia da Carreira, em Famalicão, celebrou no domingo, dias 15 e 18, com a tradicional romaria em honra de Santo Amaro, um evento que reuniu várias gerações entre a devoção religiosa ao “advogado dos ossos” e o convívio popular marcado pelo vinho palhete e pelos petiscos típicos.
A manhã de domingo na Carreira despertou com um cenário típico de festa minhota. No parque envolvente à Capela de Santo Amaro, o fumo das castanhas assadas e as bancas de doces tradicionais deram as boas-vindas aos primeiros visitantes. Para o pároco local, Padre Armindo Paulo, este é o momento em que a comunidade “desperta” para o novo ano, aproveitando os primeiros raios de sol para abandonar o conforto da lareira e promover o reencontro entre vizinhos e devotos.
O ponto alto da vertente religiosa aconteceu durante a tarde, com a celebração da Oração Mariana e a realização da Procissão. O cortejo percorreu a artéria principal da freguesia, evidenciando uma participação que atravessa idades. Segundo o Padre Armindo Paulo, nota-se uma “participação massiva” que inclui desde crianças a jovens, todos unidos pelo sentido de obrigação e pertença aquela celebração tão enraizada na região.
Para além das promessas e orações dirigidas ao santo, conhecido popularmente como o “advogado dos ossos“, a romaria vive também da sua face profana. Manuel Marques, representante da Junta de Freguesia, explicou que o evento atrai públicos distintos: enquanto os mais idosos se movem pela fé e pela busca de cura, as camadas mais jovens são atraídas pelo ritual gastronómico. O vinho palhete e os petiscos locais são elementos indissociáveis desta tradição, garantindo a animação no recinto.
Para garantir o sucesso da organização, o trabalho de bastidores foi assegurado pela Comissão de Festas de Santiago. Aquele grupo aproveitou a afluência de público para angariar fundos destinados às festividades de julho, colaborando ativamente, com a Fábrica da Igreja, na logística da procissão e no transporte do andor de Santo Amaro.
A romaria terminou num ambiente de satisfação coletiva, reafirmando-se como um dos momentos de maior coesão social da Carreira, onde o sagrado e o pagão convivem em plena harmonia.
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