O eurodeputado Hélder Sousa Silva defendeu, esta manhã, a criação de uma estratégia nacional à altura da maturidade da economia da defesa em Portugal, durante a abertura da Conferência Inaugural do “Ano da Segurança e Defesa” da Ordem dos Engenheiros. Com um volume de vendas de quase 11 mil milhões de euros e uma força de trabalho superior a 54 mil pessoas, o setor apresenta indicadores de produtividade e inovação acima da média nacional, exigindo um posicionamento célere perante as oportunidades de financiamento europeu e uma integração efetiva de engenheiros nos órgãos de decisão política e tecnológica.
Longe de ser uma área emergente, a economia da defesa portuguesa é composta por 444 entidades que se destacam pelo seu impacto económico e social. Segundo os dados apresentados: Investimento em I&D: Quatro vezes superior à média nacional; Remunerações: Salários médios que duplicam a média do país; Maturidade: Um setor competitivo e já internacionalizado.
“Não é um setor emergente. É um setor maduro, que precisa de uma estratégia nacional que amplie o seu potencial“, afirmou Hélder Sousa Silva.
O eurodeputado, que integra a Comissão da Segurança e da Defesa do Parlamento Europeu, deixou um alerta sobre o timing dos fundos comunitários, como o EDIP, o SAFE e o ReArm Europe. De acordo com o comissário, o posicionamento estratégico nos próximos dois a três anos será decisivo para garantir um lugar na cadeia de valor europeia nas décadas seguintes. “Os que hesitarem, ficarão a comprar o que outros produzem“, vaticinou.
Um dos pontos centrais da conferência foi a crítica ao atual modelo de tomada de decisão. Para Sousa Silva, a inovação acelerada na defesa exige que os engenheiros deixem de ser vistos apenas como técnicos executores para passarem a ser decisores. “Durante demasiado tempo, o engenheiro foi posicionado como o técnico que executa o que outros decidem. Hoje, é perigoso“, explicou.
O evento na Base das Lajes marca o início de um ciclo de iniciativas descentralizadas da Ordem dos Engenheiros que decorrerá ao longo de 2026. O culminar deste processo está previsto para novembro, no Funchal, onde será entregue ao Governo um documento técnico com recomendações para a política de defesa nacional, consolidando o contributo da engenharia para a soberania e economia do país.
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