A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) enviou ao Governo e parceiros políticos um conjunto de propostas para fortalecer a escola inclusiva. O documento “Vamos Falar Sobre Necessidades Educativas Específicas” defende o reforço da autonomia local, a contratação de mais psicólogos e o investimento na sinalização precoce como pilares para garantir que nenhuma criança seja excluída do sistema de ensino.
A construção de uma escola para todos é, segundo a Ordem dos Psicólogos Portugueses, um imperativo para a coesão social e o sucesso académico. No entanto, o cenário atual revela desafios estruturais: apenas 39% dos professores portugueses se sentem preparados para o modelo inclusivo, e mais de metade admite necessitar de formação específica para lidar com turmas multiculturais.
Para Sofia Ramalho, Bastonária da OPP, a inclusão exige “oportunidades reais de aprendizagem” para crianças com necessidades educativas específicas (NEE), neurodivergentes ou minorias étnicas. Os benefícios são transversais, resultando em melhores notas e autoestima para os alunos, e numa redução de custos com saúde pública e assistência social para o Estado.
Para transformar o sistema, a Ordem propõe sete eixos de ação imediata:
- Descentralização: Dar mais autonomia a municípios e escolas para adaptarem respostas à realidade local.
- Rácio de Psicólogos: Garantir, no máximo, um psicólogo por cada 500 alunos.
- Medidas Universais: Adaptar espaços e atividades para assegurar a participação de todos.
- Formação Contínua: Capacitar todos os agentes educativos em práticas inclusivas e gestão da diversidade.
- Evidência Científica: Basear as práticas pedagógicas e de avaliação em dados científicos comprovados.
- Representatividade: Promover a contratação de profissionais com deficiência ou de diversas origens étnicas para combater o estigma.
- Sinalização Precoce: Identificar necessidades precocemente para ajustar o apoio e potenciar o desenvolvimento de cada aluno.
A OPP reforça que a escola inclusiva não beneficia apenas quem tem necessidades específicas, mas promove um clima de entreajuda e confiança fundamental para o futuro da sociedade portuguesa.
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