Com mais de 350 assinaturas, a Associação José Afonso de Bruxelas lidera protesto da diáspora que condena a repressão de manifestações em Portugal. Está marcada uma concentração para 10 de novembro frente à Embaixada de Portugal.
A Associação José Afonso (AJA) – Núcleo de Bruxelas divulgou uma carta aberta subscrita por centenas de emigrantes portugueses, exigindo respostas urgentes à crise da habitação em Portugal e condenando a violência policial registada nos protestos de Lisboa e do Porto. A iniciativa, que já ultrapassa as 350 assinaturas, insere-se num movimento de solidariedade da diáspora que se estende por várias capitais europeias.
Lançada a 1 de novembro de 2026, a carta aberta surge na sequência de várias semanas de forte mobilização social em Portugal em torno do direito à habitação. Os signatários denunciam a forma como as autoridades policiais têm dispersado as manifestações e acampadas nas principais cidades portuguesas, recorrendo a uma violência que classificam como desproporcionada, e exigem a responsabilização política dos responsáveis.
Relacionando a atual crise com a fuga de talentos, a iniciativa recorda os dados do Observatório da Emigração: cerca de 1,2 milhões de portugueses abandonaram o país nos últimos 15 anos. Para muitos, a emigração foi a única via encontrada para garantir condições de vida condignas e pagar uma habitação com o rendimento do seu trabalho. Nesse sentido, em reação a declarações recentes do presidente do IHRU, os subscritores afirmam-se orgulhosamente como “filhas e filhos do Estado Social” e recusam que o sacrifício da emigração seja romantizado como um fito natural para os jovens portugueses.
Exigências ao Governo
O documento endereça um conjunto de reivindicações estruturais ao executivo, sublinhando a necessidade de:
A rejeição da nova lei do arrendamento;
O fim imediato de despejos sem alternativa habitacional;
A proibição da aquisição de habitação por fundos imobiliários;
O reforço do parque público de habitação e a reabilitação de imóveis devolutos;
A fixação de tetos máximos para as rendas;
O cumprimento rigoroso do artigo 65.º da Constituição da República Portuguesa e a salvaguarda do direito de manifestação.
A carta encerra com um apelo emotivo: “Por um Portugal onde se possa viver e onde se queira ficar. Por um Portugal ao qual possamos regressar.”
Solidariedade internacional e concentração em Bruxelas
Este descontentamento tem mobilizado a comunidade portuguesa em várias cidades europeias, como Berlim e Amesterdão. Em Bruxelas, o coletivo informal Acampada Solidarity Belgium convocou uma concentração de solidariedade — apoiada, mas não organizada, pela AJA Bruxelas.
O protesto decorrerá nos seguintes moldes (aguardando, ainda, a confirmação final das autoridades locais):
Dia: 10 de novembro de 2026, pelas 17h30
Encontro: Em frente à Embaixada de Portugal (Av. de Cortenbergh nº 12, 1040 Bruxelas)
Para quem pretender associar-se à iniciativa ou acompanhar os desenvolvimentos, a petição pública e respetivas assinaturas continuam ativas, estando também disponível um canal de difusão online.
PUBLICIDADE
























Comentários sobre o post