O início de uma jornada de devoção para dezenas de fiéis iniciou esta noite de terça-feira, dia 5. O grupo “Caminhar na Fé” deu os primeiros passos da sua peregrinação anual ao Santuário de Fátima, partindo da Igreja Paroquial de Antas após a recitação do Terço. Entre mochilas preparadas e cajados em riste, o ambiente era de visível entusiasmo e profunda espiritualidade.
O grupo, que nasceu da iniciativa de amigos e conta com uma organização estruturada, reúne tanto veteranos como estreantes. Carla Teixeira, que este ano assume o papel de guia, peregrina pela quinta vez. Para ela, a motivação reside na retribuição: “O que me fez continuar a vir foi a força e a ajuda que recebi no meu primeiro ano. Gostava de poder retribuir isso aos novos peregrinos“, afirma, sublinhando que a caminhada se faz mais com o “coração e a cabeça” do que com as pernas.
Histórias de Superação e Gratidão
Para muitos, o caminho é uma forma de processar traumas e celebrar a vida. É o caso de Carlos Gonçalves, que cumpre o seu segundo ano a pé após sobreviver a um grave acidente de mota que o deixou em coma. “Aprendi a fazer tudo de novo na minha vida e, graças a Deus, estou aqui“, partilha. Já Ivo Fernandes, recém-chegado dos Açores, estreia-se na caminhada para cumprir uma promessa de agradecimento, acreditando que “a fé move montanhas“.
A mesma tónica de gratidão é partilhada por Sílvia Teixeira, emigrante que viaja do estrangeiro para participar. “Agradecer é importante, não só pedir“, explica, destacando que as amizades criadas durante o sacrifício do percurso tornaram-se “uma família para a vida“.
O Papel Vital dos Voluntários
A logística de uma peregrinação desta natureza assenta na solidariedade. Fernando Cunha, voluntário experiente, destaca que o trabalho de apoio — que inclui cuidados médicos, enfermagem e alimentação — é essencial para que os peregrinos não desistam. “Ajudar é colaborar com os amigos. Nada é difícil quando se vai com fé“, refere.
Para quem caminha, como a peregrina Olga Ferreira, o apoio da organização e dos colegas é o que permite transformar a dor física em alívio espiritual. Olga recorda que, na sua primeira ida, sentiu o “peso do mundo” sair-lhe dos ombros ao chegar ao Santuário.
A partir de agora, o quotidiano destes peregrinos será definido por etapas diárias de esforço e superação. Entre o cansaço e a esperança, o objetivo permanece inalterado: chegar aos pés da imagem de Nossa Senhora de Fátima, onde, segundo os relatos, “todas as dores se esquecem“.
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