No próximo sábado, 31 de outubro, os militantes do CHEGA do distrito de Braga são chamados a escolher os seus delegados à VII Convenção Nacional do partido, marcada para os dias 20, 21 e 22 de novembro, no Entroncamento. Mais do que uma formalidade, esta eleição é uma escolha entre dois caminhos: o da renovação, com a Lista A, ou o da continuidade de um modelo que tem envergonhado o partido no distrito.
A Lista A, liderada pelo deputado Carlos Barbosa, apresenta-se com 74 candidatos efetivos e 19 suplentes, militantes e autarcas de todo o distrito, sob o lema “André Ventura na liderança. Braga na mudança”. É uma lufada de ar fresco. Uma equipa que quer um partido forte e unido em torno de André Ventura, mas também próximo dos militantes, aberto à participação e capaz de valorizar quem trabalha no terreno.
Do outro lado está a Lista B, encabeçada por Filipe Aguiar. E no último lugar dessa lista, discretamente, está Filipe Melo, presidente da Distrital. Não à frente, a dar a cara, mas escondido no fim. Quem manda há anos na estrutura distrital não tem a coragem de se submeter de frente ao voto dos militantes. Essa escolha diz tudo sobre o homem e sobre o que está em jogo.
Na minha opinião, Filipe Melo é hoje um cancro dentro do CHEGA. E o mal começa onde o partido mais precisa de credibilidade: na Assembleia da República.
Em setembro de 2025, sentado na Mesa da Assembleia como vice-secretário, ao lado do presidente do Parlamento, Filipe Melo enviou beijos a uma deputada em pleno plenário e fez-lhe sinais para se calar. As imagens correram o país. O presidente da Assembleia classificou o gesto como inaceitável e pediu um inquérito. Em novembro, a Comissão de Transparência deu os factos como provados, por documentos e pela confissão do próprio, e recomendou que pedisse desculpa formalmente ao plenário e ponderasse se tinha condições para continuar na Mesa.
O partido teve de gastar tempo e energia a defender o indefensável. Cada minuto que o CHEGA perde a explicar os comportamentos de Filipe Melo é um minuto que não dedica a defender os portugueses. Não foi caso único: pouco depois, outra deputada pediu a abertura de novo inquérito a uma conduta sua em plenário. Um deputado que se comporta assim não representa Braga. Envergonha-a.
Na Distrital de Braga, que lidera desde 2020, Filipe Melo instalou um regime de caciquismo. Quem pensa pela própria cabeça é afastado. Quem tem mais competência do que ele é visto como ameaça e eliminado. Ficam os obedientes. Militantes que ousaram discordar relatam ter sido tratados por “traidores”, “judas” e “osgas”. Não é assim que se constrói um partido. É assim que se destrói.
A isto junta-se a falta de palavra com o dinheiro dos outros. Em 2022, acabado de ser eleito deputado, a revista Sábado noticiou que o Tribunal de Braga o tinha condenado a pagar mais de 80 mil euros de dívidas, em três processos de execução. Dentro da Distrital, há quem continue à espera de receber o que lhe é devido, com casos que acabaram em tribunal. Um dirigente que não honra os seus compromissos não tem autoridade moral para exigir disciplina a ninguém.
Em Vila Verde, o retrato é ainda mais triste. Filipe Melo apresentou-se às autárquicas de 2025 a garantir que era «possível ganhar» a Câmara. Na prática, entregou a construção da lista a refugo e rejeitados do PSD, não fez campanha digna desse nome e deixou membros da lista com dinheiro por receber.
O resultado foi o que se previa: terceiro lugar, com 15,91% e 4.799 votos, atrás do PSD e do PS. Um resultado vergonhoso para o CHEGA, num concelho onde o partido tinha potencial para muito mais. E com um agravante que diz tudo: a candidata à Assembleia Municipal, Elisabete Rodrigues, teve mais 3% de votos do que o cabeça de lista à Câmara.
Pior ainda foi o que veio depois. Eleito vereador, Filipe Melo falta sistematicamente às reuniões de Câmara e delegou a sua substituição na terceira da lista, Branca Malheiro, um dos seus “paus mandados”. Os vila-verdenses que votaram no CHEGA mereciam alguém que desse a cara. Receberam uma cadeira vazia.
O CHEGA nasceu para limpar a política portuguesa, não para reproduzir os vícios que sempre combateu. O partido precisa urgentemente de se libertar de militantes como Filipe Melo, porque envergonham o CHEGA, envergonham Vila Verde, envergonham Braga e envergonham o país.
No sábado, entre as 10h00 e as 19h00, na sede distrital da Rua dos Chãos, os militantes têm nas mãos a oportunidade de virar a página. Votar na Lista A é dizer basta ao medo, ao caciquismo e à cobardia. É deixar o CHEGA voltar a respirar.
Álvaro Rocha
Professor Catedrático
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