Coligação assinala um ano após as eleições autárquicas com críticas a derrapagens de 5 milhões de euros nas obras públicas, atrasos no PDM e falhas nos transportes e habitação, apelando a maior participação popular.
A concelhia da CDU de Vila Nova de Famalicão realizou, ao final da tarde desta segunda-feira, dia 12, na sua sede, uma conferência de imprensa destinada a fazer o balanço do primeiro ano volvido sobre as últimas eleições autárquicas. Sob o mote «um ano passou e mudou o quê?», os dirigentes comunistas criticaram a gestão da maioria no executivo municipal, acusando a autarquia de privilegiar a propaganda e o anúncio de obras em detrimento da resolução dos problemas estruturais do concelho.
Durante a intervenção de abertura do balanço, Madalena Soares sublinhou que, embora o orçamento municipal para 2026 tenha atingido o valor recorde de 256 milhões de euros — com mais de 106 milhões destinados a investimento —, o volume financeiro «não é, por si só, medida de desenvolvimento». A dirigente apontou sinais preocupantes na gestão dos dinheiros públicos, denunciando uma estimativa de cerca de 5 milhões de euros em derrapagens financeiras nas empreitadas municipais e exigindo esclarecimentos cabais sobre os custos finais. A par disto, questionou o futuro sustentável das contas do município assim que terminarem os apoios comunitários do PRR.
A coligação PCP-PEV elencou um caderno de reivindicações prioritárias para o concelho, destacando o atraso na revisão do Plano Diretor Municipal (PDM), que se arrasta há sete anos sem conclusão formal, a necessidade de reforçar a habitação pública a custos acessíveis — considerando insuficientes as 102 casas adquiridas via PRR —, e as queixas reiteradas sobre a concessão da rede de transportes MobiAve, cujos horários e percursos continuam desalinhados das rotas escolares e laborais. Foram também assinaladas falhas históricas no saneamento básico, a degradação ambiental e despoluição dos rios Ave e Pele, bem como a falta de dinamização do renovado Mercado Municipal, onde seis de oito espaços a concurso ficaram desertos.
Sílvio Sousa, em representação da estrutura local da CDU, abordou o enquadramento político do concelho, reconhecendo os desafios da intervenção autárquica e apelando ao envolvimento cívico dos cidadãos em coletividades, sindicatos e partidos para combater o desinteresse pela vida pública. Com uma estrutura partidária local que ronda as duas centenas de militantes e amigos, o dirigente frisou que a força política recusa «semear ódios e desconfianças» e defendeu que mais eleitos da CDU na Câmara e na Assembleia elevariam a qualidade do debate político.
A deputada municipal Tânia Silva, única voz eleita da força partidária na Assembleia Municipal, garantiu que, apesar do número reduzido de mandatos, a CDU tem mantido uma fiscalização constante e interventiva sobre o executivo. A eleita exemplificou com as advertências feitas sobre as intervenções urbanísticas no centro da cidade e a morosidade de processos como a pista de atletismo, assegurando que o trabalho de equipa levado a cabo tem obrigado a liderança camarária a prestar contas e a acolher temas centrais da população.
A conferência serviu ainda para mobilizar os trabalhadores famalicenses para a manifestação da CGTP-IN marcada para 17 de outubro, no Porto, e para anunciar a realização da 16.ª Assembleia de Organização Concelhia do PCP de Vila Nova de Famalicão, agendada para o próximo dia 14 de novembro.
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