A comunidade de Arnoso Santa Eulália, em Vila Nova de Famalicão, provou que a tradição é mais forte que a meteorologia. No domingo, dia 15, apesar da chuva persistente, que levou ao cancelamento de vários eventos na região, o tradicional cortejo carnavalesco saiu à rua, ligando o lugar da Veiga à sede da ADC de Santa Eulália. O desfile, marcado pela forte adesão popular e pela presença de entidades locais, serviu como um momento de “folia antes do recolhimento” da Quaresma.
A resiliência foi a nota dominante do Carnaval de Arnoso Santa Eulália deste ano. Grupos locais, como o Grupo de Jovens e o Grupo Coral da Eucaristia Jovem, juntaram-se aos icónicos Zés Pereiras de Delães para dar cor e som a um percurso que, mesmo sob chuva, atraiu uma moldura humana considerável. Para Ricardo Pinto, Presidente da União de Freguesias de Arnoso (santa Maria, Santa Eulália) e Sezures, o cancelamento nunca foi uma opção: “A tradição aqui é mais forte que tudo. As pessoas iam ficar desiludidas se não cumpríssemos este costume, que vem desde 1985“, afirmou.
Entre os foliões, destacou-se a presença de uma família portuguesa radicada na Dinamarca. Graça Thomsen aproveitou as férias para mostrar às filhas as diferenças culturais entre os dois países. “Na Dinamarca o Carnaval é mais simples, focado nas crianças e numa pinhata de doces. Aqui é uma alegria contagiante, para todas as idades, com muita música e comida. É muito mais vivo“, descreveu a emigrante, visivelmente satisfeita por ver as filhas a “dançar a tarde toda“.
O Padre Vítor Sá, que acompanhou o desfile, sublinhou o simbolismo cristão da celebração. Referindo-se ao “Domingo Gordo“, explicou que o Carnaval funciona como uma “breve despedida” da abundância antes da interioridade da Quaresma. “É preciso saber distinguir os momentos para os saborear bem. Hoje vivemos a folia e a união da comunidade para depois abrirmos a porta ao espírito e à reflexão“, referiu o pároco.
A Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Famalicão, Susana Pereira, também marcou presença e confessou ter ficado “agradavelmente surpreendida” com a resistência da comunidade. “Isto revela muito do empenho local e faz parte da marca do Carnaval de Famalicão, uma festa informal mas que traz muita alegria à rua“, sublinhou.
PUBLICIDADE






















Comentários sobre o post