Anúncio inserido numa das redes sociais revela uma situação, a do mercado imobiliário, que está em desvario total, sem controle e debaixo de uma pressão especulativa de que não tenho memória.
Sigo directo para o caso reescrevendo, sem nada alterar, o que está postado: “Arrendo quarto com tudo incluído. Condições, uma renda e um caução (?)” E mais se pode ler: “Arrendo quarto centro de Aveiro, 420 euros”.
Quando se depara com um anúncio destes…em jeito de brincadeira penso logo: vistas para o mar; ar condicionado; banheira de hidromassagens; menina para nos dar banho; pequeno-almoço na cama; chinelos de quarto; alcatifa a atapetar o chão do espaço; luzes led direccionadas; portátil na secretária; e toda outra gama de mordomias.
Este exemplo replica-se na maioria do nosso território, com mais afinada pressão nas Cidades de grande e de média dimensão.
Este e outros valores, demasiado altos para os vencimentos que, a maioria dos portugueses usufruiu, é não só um ultraje humano a cada um mas é, também, uma afronta ao que deveria ser um Estado com regras. Com regras reguladoras de certos mercados, como o dos arrendamentos de quartos, de casas, de armazéns, de garagens…de tudo quanto possa caber no sector imobiliário.
Uma certa loucura, que é doentia e abusadora, tomou conta de quem é dono de fracções, sejam elas quais forem, de espaços habitacionais, comerciais, industriais ou outros.
Um País que não tem e nem segue uma política para o seu mercado de arrendamento habitacional anda ao deus dará…e promove a especulação e derrete a felicidade de cada um dos seus cidadãos. Cidadãos que devem ter direito a uma casa e de viver sem sobressaltos.
Se fizermos contas a esses 420 euros/mês de arrendamento do tal quarto, em Aveiro, o resultado é assustador. É que esse valor corresponde a cerca de 47% de um vencimento mínimo.
Conclusão: os mais pobres ou remediados têm imensas e altas dificuldades em sobreviver num País como o nosso, em que, nos últimos 35 anos, nenhuma Entidade do Estado – nacional, regional ou local, em que meto as autarquias – tomou iniciativas para se construírem Bairros Sociais (até o Estado Novo o fez…). Mas, entretanto, o mesmo Estado, tem a apodrecer, milhares de casas devolutas e existem muitas centenas nas mesmas condições por desavenças familiares ou por falências de empresas.
Gastam-se milhões em festas, festinhas e festarolas, além de noutras coisas sem qualquer interesse – estudos sobre estudos relativos a ideias que acabam “estacionadas” no papel sem exequibilidade – e não se planificam políticas de habitação para os mais débeis e para os que vivem de um ordenado mínimo. Depois vem a cantilena da imigração que se elevou e que é culpada de tudo. Mas não nos preparamos para nada? Que País queremos, afinal?
A. Barreiros
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