Metalúrgica de Famalicão, que recebeu fundos do Portugal 2030, planeia dispensar mais de 50 trabalhadores. Comunistas exigem explicações à Ministra do Trabalho sobre a salvaguarda do emprego.
O Grupo Parlamentar do PCP entregou uma pergunta formal à Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, exigindo esclarecimentos e a intervenção do Governo na defesa dos postos de trabalho do Grupo ROQ. Sediada em Oliveira São Mateus, em Vila Nova de Famalicão, a empresa metalúrgica prepara-se para avançar com um despedimento coletivo que abrange mais de 50 trabalhadores. A decisão surge após a empresa ter beneficiado de cerca de 294,9 mil euros em dinheiros públicos através do programa Portugal 2030.
Para o PCP, a situação é “inaceitável“, acusando a administração da ROQ de recorrer a fundos públicos e, simultaneamente, avançar com rescisões para “salvaguardar os seus lucros“. O partido sublinha que o grupo tem registado uma “diminuição brutal” de pessoal ao longo dos últimos anos: em 2022, a empresa contava com mais de 700 trabalhadores e uma faturação consolidada de 88 milhões de euros; atualmente, o quadro de pessoal foi reduzido para pouco mais de 400 funcionários.
Especializada na conceção e fabrico de máquinas para a indústria têxtil e metalomecânica ligeira, a ROQ é uma das maiores referências do setor no norte do país, exportando para 80 países e com subsidiárias nos Estados Unidos e no Brasil. A empresa justifica a reestruturação e o despedimento coletivo com a “redução das encomendas e a evolução do contexto económico“, apontando para um plano de concentração de recursos em áreas estratégicas e inovação tecnológica. No entanto, o PCP contesta estes argumentos, lembrando que a fragilização dos trabalhadores coincide com a recente mudança de acionista maioritário na empresa, que conta com 40 anos de atividade na região.
Perante este cenário, os deputados comunistas dirigiram seis perguntas ao Executivo para perceber que medidas serão tomadas. O partido quer saber se o Governo tem conhecimento do processo, se a ROQ continua a receber apoios estatais e se foram acionadas as salvaguardas que associam a atribuição de fundos públicos à manutenção dos postos de trabalho. O PCP questiona ainda se os resultados líquidos da unidade de Famalicão continuam a ser positivos e pede garantias de que este processo não configura um “despedimento coletivo faseado“.
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