Sou da opinião que não se podem nem se devem criar factos ou polémicas políticas sem, antes de tudo, analisar, com distância e isenção, toda a situação.
Estalou, nalguma comunicação social local e regional, com artigos de opinião, a ordem – sem aprofundamento do sentido da coisa – de que poderá ou vai existir uma “guerra”, entre o Presidente da Câmara de Famalicão e a Comissão Política Concelhia do PSD. Órgão interno que, segundo veio a público, condenou a atitude de Mário Passos quanto á proposta socialista que preconizava homenagens a dois ex-chefes da municipalidade, Agostinho Fernandes e Armindo Costa.
Ontem, como é consabido, registaram-se desenvolvimentos sobre esse assunto, aliás, como o Famalicão Canal TV noticiou (convido-o a pesquisar).
Mário Passos – devo recordá-lo e trazê-lo a este terreiro – foi sufragado, nas últimas eleições autárquicas, de 2025 (12 de Outubro), como Presidente do Município de V. N. Famalicão, na coligação PSD/CDS, com os votos de 41.488 dos cidadãos (49,64%), de um leque de 121.657. E teve outros partidos à perna.
Para a eleição de Paulo Reis, único candidato a Presidente da Concelhia local do PSD, o qual se apurou para Presidente desse órgão, em acto realizado a 28 de Fevereiro pretérito, exerceram o seu direito de voto 1.573 social-democratas.Mas não se divulgaram quantos foram a favor dessa figura.
As eleições autárquicas assumem uma visibilidade com o universo de toda a população residente do Concelho de Famalicão, portanto, têm de ser entendidas como constituindo um acto público, social e político de forte dimensão.
As eleições para a Concelhia do PSD foram, apenas e só, do foro da vida interna do partido, com uma margem limitadíssima de votantes, como se avalia.
Tentar igualar uma e outra eleição é, como sói dizer-se, meter o Rossio (praça mais que reconhecida) na Bestega (minúscula e estreita rua, com apenas 10 metros, que liga a Praça da Figueira à do Rossio). Logo não há comparação.
Mário Passos, quer se queira quer não…está legitimado pelo eleitorado geral, de âmbito concelhio, que votou nele. Carregar para este assunto a possibilidade de o tema, em presença, representar um “puxão de orelhas” da Concelhia do PSD a Mário Passos, não deve mexer – para mim, é óbvio – com a estabilidade política do Chefe da Municipalidade, à frente dos destinos desse órgão autárquico. Mas o escrutínio quer dos cidadãos quer dos OCS nunca pode ser impedido, porque a Constituição e outras leis o determinam. Quem o fizer incorre num acto punido pelo previsto na Magna Carta e não só…Há quem esteja a tentar barrar a nossa presença – sabemos. Saberá de leis ou é mero aprendiz?
O que se passou, como já o descrevi na reportagem que assinei ontem, a propósito desse episódio que tem empolgado a vida da Câmara e a local, não passa de um simples arrufo com que a democracia, uma vez ou outra, nos brinda…porque os jogos políticos fazem mover e fazem parte do teatro desse regime… António Barreiros
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