Eurodeputado português reuniu-se com a futura presidência irlandesa do Conselho da UE e com os comissários europeus Ekaterina Zaharieva e Glenn Micallef para salvaguardar verbas no próximo Quadro Financeiro Plurianual.
O eurodeputado Hélder Sousa Silva, coordenador do Partido Popular Europeu (PPE) na Comissão de Cultura e Educação (CULT), reuniu-se em Estrasburgo com a ministra da Educação da Irlanda, Hildegarde Naughton, e com os comissários europeus Ekaterina Zaharieva e Glenn Micallef. O objetivo central dos encontros foi sensibilizar as instituições europeias para a necessidade urgente de reforçar o investimento público nas áreas da Cultura, Educação e Juventude, com especial foco na regulação do impacto da Inteligência Artificial (IA) e na garantia de fundos no próximo Quadro Financeiro Plurianual (QFP) 2028-2034.
A escassos dias de a Irlanda assumir a presidência rotativa do Conselho da União Europeia (a 1 de julho), o impacto da Inteligência Artificial no ecossistema educativo esteve em claro destaque. Na reunião com a ministra irlandesa Hildegarde Naughton, foi partilhado o empenho da UE em regular os aspetos éticos da IA para professores e formadores, bem como o desenho de uma estratégia para a juventude que combata a desinformação e mitigue os efeitos das redes sociais nos mais jovens, refere um comunicado.
Neste contexto, Hélder Sousa Silva aproveitou o encontro para apresentar os pontos-chave do Relatório de Iniciativa Parlamentar sobre a Estratégia para a Juventude. O eurodeputado defendeu a elegibilidade e visibilidade acrescida destas pastas no QFP 2028-2034, tendo ainda abordado o futuro de programas de referência como o Erasmus+, o “Horizonte Europa“, as Alianças de Universidades Europeias e o Diploma Europeu Conjunto.
A articulação entre a ciência e o setor cultural dominou a audiência com Ekaterina Zaharieva, Comissária Europeia responsável pelas Startups, Investigação e Inovação. Embora a comissária tenha manifestado um apoio veemente ao setor cultural e criativo no âmbito do programa “Horizonte Europa”, expressou forte preocupação com os níveis globais de investimento em Investigação e Inovação (I&I) na União Europeia.
Atualmente, a média de investimento em I&I na UE fixa-se nos 2,24%, longe da meta de 3% assumida pelo Conselho — um objetivo alcançado por apenas cinco Estados-membros.
Zaharieva reiterou que as futuras negociações do regulamento do “Horizonte Europa” devem manter o foco no mérito científico e na apresentação de soluções concretas, e não no mero apoio institucional, promovendo uma competição salutar.
Sinergias financeiras e novas regras para a Cultura
No encontro com Glenn Micallef, Comissário Europeu para a Equidade Intergeracional, Juventude, Cultura e Desporto, o debate centrou-se na otimização de recursos. Ambos os responsáveis concordaram na necessidade de robustecer as verbas da Cultura no próximo quadro comunitário através do cruzamento e de sinergias com outros programas europeus.
Foram também discutidos os moldes de financiamento do novo programa AgoraEU e a gestão de iniciativas de grande visibilidade, como a Capital Europeia da Cultura e do Património. Sobre esta última, foi colocada em cima da mesa a possibilidade de introduzir critérios e condições mais exigentes para os candidatos, de forma a que as cidades e projetos que os cumpram possam aceder a fatias mais substanciais de financiamento europeu.
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